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Questão FC506231

Texto Saímos de Manaus numa lancha pequena, e no meio da manhã navegamos no coração do arquipélago das Anavilhanas. A ânsia de encontrar Dinaura me deixou desnorteado. A ânsia e as

Vozes (Voz Passiva e Voz Ativa)

IBFC · 2022

Texto

 

Saímos de Manaus numa lancha pequena, e no meio da manhã navegamos no coração do arquipélago das Anavilhanas. A ânsia de encontrar Dinaura me deixou desnorteado. A ânsia e as lembranças da Boa Vida. A visão do rio Negro derrotou meu desejo de esquecer o Uaicurapá. E a paisagem da infância reacendeu minha memória, tanto tempo depois.

 

Costelas de areia branca e estriões de praia em contraste com a água escura; lagos cercados por uma vegetação densa; poças enormes, formadas pela vazante, e ilhas que pareciam continente. Seria possível encontrar uma mulher naquela natureza tão grandiosa? No fim da manhã alcançamos o Paraná do Anum e avistamos a ilha do Eldorado. O prático amarrou os cabos da lancha no tronco de uma árvore; depois procuramos o varadouro indicado no mapa. A caminhada de mais de duas horas na floresta foi penosa, difícil. No fim do atalho, vimos o lago do Eldorado. A água preta, quase azulada. E a superfície lisa e quieta como um espelho deitado na noite. Não havia beleza igual. Poucas casas de madeira entre a margem e a floresta. Nenhuma voz. Nenhuma criança, que a gente sempre vê nos povoados mais isolados do Amazonas. O som dos pássaros só aumentava o silêncio. Numa casa com teto de palha pensei ter visto um rosto. Bati à porta, e nada. Entrei e vasculhei os dois cômodos separados por um tabique1 da minha altura.

 

Um volume escuro tremia num canto. Fui até lá, me agachei e vi um ninho de baratas-cascudas. Senti um abafamento, o cheiro e o asco dos insetos me deram um suadouro. Lá fora, a imensidão do lago e da floresta.

 

E silêncio. Aquele lugar tão bonito, o Eldorado, era habitado pela solidão. No fim do povoado encontramos uma casa de farinha. Escutamos uns latidos; o prático apontou uma casa na sombra da floresta. Era a única coberta de telhas, com uma varanda protegida por treliça de madeira e uma lata com bromélias ao lado da escadinha. Um ruído no lugar. Na porta vi o rosto de uma moça e fui sozinho ao encontro dela. Escondeu o corpo e eu perguntei se morava ali.

 

(HATOUM, Milton. Órfãos do Eldorado. São Paulo:

Companhia das Letras, 2008, p.101-102)1 divisória, tapume

 

A voz ativa dos verbos caracteriza boa parte do texto, como na oração “Escondeu o corpo”.

 

Caso essa oração fosse transcrita para a voz passiva sintética, teríamos mudança:

  1. no núcleo do sujeito.
  2. no tempo verbal.
  3. no tipo de ação.
  4. no modo verbal.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Na oração Escondeu o corpo temos sujeito oculto (sujeito oculto = “ele”), verbo transitivo direto (escondeu) e objeto direto (“o corpo”).

Na voz passiva sintética, a oração fica Escondeu-se o corpo. A partícula se funciona como partícula apassivadora, tornando o antigo objeto direto no novo sujeito.

Assim, o termo que exerce a função de sujeito mudou: antes o sujeito era oculto (núcleo implícito “ele”); depois o sujeito explícito tem como núcleo corpo. Portanto houve alteração no núcleo do sujeito.

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