Questão FC506262
Texto I O Manifesto Antropófago foi publicado em 1º de maio de 1928, no Diário de São Paulo. De todas as iniciativas renovadoras propostas por Oswald de Andrade, talvez tenha sido
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
IBFC · 2023
Texto I
O Manifesto Antropófago foi publicado em 1º de maio de 1928, no Diário de São Paulo. De todas as iniciativas renovadoras propostas por Oswald de Andrade, talvez tenha sido essa a mais visionária. Em sua obra Vanguardas Latino-americanas, Jorge Schwartz assim analisa a antropofagia oswaldiana:
“O dilema nacional/cosmopolita é resolvido pelo contato com as revolucionárias técnicas da vanguarda europeia, e pela percepção da necessidade de reafirmar os valores nacionais numa linguagem moderna. Assim, Oswald transforma o bom selvagem rousseuauniano num mau selvagem, devorador do europeu, capaz de assimilar o outro para inverter a tradicional relação colonizador/colonizado”. Tudo, evidentemente, no plano cultural.
Schwartz cita ainda o artigo “Da razão antropofágica: diálogo e diferença na cultura brasileira”, escrito por Haroldo de Campos, em que este afirma:
“(...) é o pensamento da devoração crítica do legado universal, elaborado não a partir da perspectiva submissa e reconciliada do ‘bom selvagem’ (...) mas segundo o ponto de vista desabusado do ‘mau selvagem’, devorador de brancos, antropófago. Ela não envolve uma submissão (uma catequese), mas uma transculturação: melhor ainda, uma ‘transvaloração’: uma visão crítica da história como função negativa (...) capaz tanto de apropriação como de expropriação, desierarquização, desconstrução. Todo passado que nos é ‘outro’ merece ser negado. Vale dizer: merece ser comido, devorado. Com esta especificação elucidativa: o canibal era um ‘polemista’ (do grego, pólemos: luta, combate), mas também um ‘antologista’: só devorava os inimigos que considerava bravos, para deles tirar proteína e tutano para o robustecimento e a renovação de suas próprias forças naturais (...)”.
(Oliveira, Clenir Bellezi de. Discutindo Literatura. São Paulo, ed. 16, ano 3, nº 16, p.35)
O pronome destacado em “Ela não envolve uma submissão” cumpre um papel coesivo no texto que pode ser explicado por meio do mecanismo ______.
Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
- da catáfora, contribuindo para a progressão da informação apresentada.
- da reiteração, marcando a ênfase na repetição de uma palavra já empregada.
- da referenciação, indicando a retomada de uma ideia já apresentada no texto.
- da dêixis, apontando para referentes exofóricos, ou seja, de fora do texto.
- da elipse, sinalizando a omissão de uma informação subentendida na frase.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O pronome "Ela", em "Ela não envolve uma submissão", retoma uma ideia já apresentada no trecho anterior, isto é, a concepção antropofágica ou o "pensamento da devoração crítica" referido por Haroldo de Campos.
Esse recurso é a referenciação, mais especificamente uma anáfora, porque aponta para um elemento do texto que veio antes, garantindo ligação entre enunciados.
Ao operar essa retomada, o pronome cria coesão textual: evita repetição lexical, preserva a unidade temática e orienta a interpretação do leitor para o referente anterior.
A concordância de gênero e número entre "Ela" e o referente confirma a relação anafórica e possibilita a recuperação precisa do sentido no contexto.
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