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Questão FC506289

Espero estar enganada, mas meu senso de observação, aliado a algumas matérias que andei lendo, tem me induzido a pensar que pessoas maduras, também conhecidas como velhas, continua

Linguagem

IBFC · 2025

Juventude apática

“Que desalento é esse que está intoxicando garotos e garotas que deveriam estar em seu auge”

 

(Martha Medeiros)

 

Espero estar enganada, mas meu senso de observação, aliado a algumas matérias que andei lendo, tem me induzido a pensar que pessoas maduras, também conhecidas como velhas, continuam empolgadas com a vida, fazendo planos para o futuro e transando bem, obrigada, enquanto os jovens, que eram os que detinham o monopólio da vitalidade, estão entediados, apáticos, achando graça em nada. Alguém aí confirma?

 

Outro dia, estava conversando com amigos da minha faixa etária, todos entrados nos 60 e com filhos na casa dos 30, e a impressão deles era a mesma. A nova geração tem passado os dias com cara de paisagem. Eles trabalham desesperançados, não se apaixonam perdidamente e seus entusiasmos mal duram um fim de semana, logo esfriam. Não que tivéssemos muitas certezas na idade deles, mas a gente ia em frente com dúvida e tudo, o pulso latejava. Um dia de sol na praia era um acontecimento. Um beijo roubado nos deixava insones. Abraçávamos nossas causas com inocência e ardor, nunca com ódio. Vibrávamos numa frequência positiva. Sorriso não era uma raridade em nosso rosto e não falávamos por monossílabos: palestrávamos em mesa de bar. Melancolia? De vez em quando, sucumbíamos a ela, claro. Éramos poetas, alguns trágicos, cortesia da arte e de suas consequências na alma, mas tudo era visto como privilégio da existência. Não havia zumbis atrás de telas, buscávamos excitação de verdade.

 

Que desalento é esse que está intoxicando garotos e garotas que deveriam estar em seu auge? São pouco afirmativos e não lutam por seus sonhos — nem mesmo sonham. Falta propósito. E o fracasso apavora. Contentam-se em ser uma eterna promessa e não estão entendendo que o tempo irá cobrar caro, um dia, pela postura blasé do “tanto faz”.

 

O excesso é cúmplice do vazio, uma dupla bandida. Excesso de informações, poucos empregos. Excesso de bocas, pouca intimidade. Os cardápios são fartos de “felicidade”: quanto mais é oferecido, mais confusos eles ficam, que caminho seguir? Nós também tivemos que fazer escolhas e as renúncias faziam parte do jogo, não paralisavam ninguém. Agora o rolê tonteia. Escolher só uma alternativa entre um milhão? Não conseguem. Nada se destaca, nada é especial. A banalidade dá o tom da conversa, que leva ao fastio, claro. Um minuto de atenção (se tanto) e já se trocou de desejo.

 

Não todos eles, amém. Há aqueles que ainda leem livros, o que ajuda a concentrar. Há os que se mantêm confiantes e interessados. E os que ainda param para escutar a nós, os velhos cheios de gás que parecem não se abalar com o planeta derretendo e com políticos dando show de insanidade. Galera, é no caos que a gente reage. Reajam.

 

(Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2025/03/juventude-apatica.ghtml. Acesso em 12/04/2025)

 

Considere as expressões destacadas em “e transando bem, obrigada,” e “dá o tom da conversa, que leva ao fastio, claro”. No contexto em que estão inseridas, assinale a alternativa que apresenta como devem ser entendidas.

  1. Traços de informalidade acessórios que aludem ao registro oral da língua.
  2. Essenciais para o entendimento efetivo das frases em que se encontram.
  3. Exemplos de registro formal da língua em razão da concordância adequada.
  4. Vocábulos que sintetizam a informação mais desenvolvida que os antecede.
  5. Termos que concordam com a segunda pessoa do discurso, com o interlocutor.
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Gabarito

A

Comentário do professor

As palavras destacadas funcionam como pequenas intervenções do enunciador que reproduzem traços da fala cotidiana. São marcas de oralidade e de registro informal, usadas para confirmar, comentar ou modular o enunciado sem alterar seu conteúdo essencial.

Em “obrigada” a autora assinala concordância/ironiza de modo coloquial; em “claro” há um marcador de evidência que reforça a afirmação anterior. Ambos atuam como marcadores de atitude, sinalizando tom e posicionamento do falante.

Por serem acessórios, podem ser suprimidos sem tornar a frase incompreensível; preservam, porém, a vivacidade e a aproximação com o registro oral do texto.

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