Questão FC506341
Analise o texto a seguir para responder a questão. Outdoors ambulantes A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa (Ruy
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBFC · 2025
Analise o texto a seguir para responder a questão.
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)
O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.
Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]
Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.
Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.
O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.
(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoors-ambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
A fim de apresentar seu posicionamento acerca da situação atual da propaganda, o enunciador constrói a introdução do texto por meio do seguinte recurso expressivo:
- o emprego de um argumento técnico de autoridade em linguagem formal.
- a responsabilização do “couro” nas calças jeans como causa do avanço publicitário.
- a aproximação, por equivalência, da propaganda em gravatas e calças jeans.
- um posicionamento sobre a propaganda ilustrado por meio de um caso particular.
- uma citação direta de uma fala informal que evidencia uma percepção consensual.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Alternativa D indica que o enunciador expõe seu posicionamento acerca da propaganda por meio de um exemplo concreto. A abertura com a história de Paulo Francis funciona como uma anedota que exemplifica uma reação individual diante da proliferação publicitária.
Essa técnica permite ao autor mostrar, sem uma afirmação genérica imediata, como um caso particular ilustra um fenômeno social mais amplo. Os detalhes da cena — a etiqueta do jeans visível versus a etiqueta interna do terno — servem como evidência simbólica do argumento central.
Assim, o texto parte do singular para o geral: a história de Francis prende a atenção e legitima o juízo do autor sobre a invasividade da propaganda, tornando explícito o posicionamento por meio de um exemplo concreto.
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