Questão FC506363
Parece que ninguém está nem aí para você? É a tecnologia da desescutação? (Christian Dunker) Tendemos a interpretar palavras como “arte” ou “tecnologia” com um sentido positivo. No
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBFC · 2024
Parece que ninguém está nem aí para você? É a tecnologia da desescutação? (Christian Dunker)
Tendemos a interpretar palavras como “arte” ou “tecnologia” com um sentido positivo. No entanto, existem artes que prosperam de forma silenciosa ou indireta, que nos levam a técnicas de si, que em um contexto social podem ser produtivas ou de acordo com ideais e em outro se tornam profundamente contraproducentes.
Pensemos em Dom Quixote, que se apega a valores como honra, coragem e nobreza, mas se torna um personagem anacrônico a ponto de ser tomado por louco.
Por exemplo em uma cultura de altíssimo engajamento atencional, contra a oferta digital de dispersão, produzirá um sentimento genérico de que estamos todos desatentos, desconcentrados e sem foco. Assim também a arte de deixar de escutar o outro pode ser desenvolvida no contexto de excesso de foco em outras coisas.
Tecnologias de desescutação podem ser descritas, assim como qualidades do tipo “fidelidade a objetivos”, aderência à disciplina”, “foco em resultados” podem concorrer para a desescutação. [...]
A sensação é de que está cada vez mais difícil escutar o outro. Assumir a sua perspectiva, refletir, reposicionar-se e fazer convergir diferenças está cada vez mais difícil de ser praticada. Isso se aplica tanto ao espaço público com suas novas e inesperadas conformações digitais quanto ao espaço privado das relações amorosas ou amistosas, passando pelas relações laborais e institucionalizadas. Uma descrição resumida desta situação costuma salientar que nossa vida está cada vez mais acelerada, icônica e funcionalizada.
A aceleração é um fenômeno da cultura da performance generalizada, derivada do universo da produção e da soberania do resultado.
Vivemos hoje com um acervo de instrumentos e meios que excedem o limite de nossas faculdades mentais “em estado natural”. Isso afeta brutalmente a situação de fala, que de certa forma se torna um pouco anacrônica.
Não é por acaso que novas síndromes envolvendo mutismo seletivo (como o do personagem Rajesh Koothrappali do seriado “The Big Bang Theory”) e o mutismo generalizado em crianças sejam cada vez mais frequentes. Neste ponto, não há exatamente uma novidade, mas o exagero e aprofundamento deste princípio que define a modernidade desde Baudelaire e Benjamin. [...]
(Disponível em: https://www.uol.com.br/tilt/colunas/blog-do-dunker/. Acesso em 06 de junho de 2024)
No primeiro parágrafo do texto, o autor mostra que palavras como “arte” e “tecnologia” devem ser entendidas como:
- complementares.
- relativizáveis.
- insuficientes.
- descomprometidas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
No primeiro parágrafo o autor mostra que os termos “arte” e “tecnologia” não têm valor unívoco: ele afirma que existem formas de arte e técnicas que, em um contexto, são produtivas e, em outro, se tornam contraproducentes. Isso indica que seu sentido varia conforme as circunstâncias, logo são relativizáveis.
A expressão usada pelo autor — que algo pode ser útil ou prejudicial dependendo do ambiente e dos fins — funciona como prova textual. Assim, devemos analisar cada caso, avaliando funções, intenções e efeitos, em vez de atribuir automaticamente um juízo positivo ou negativo às palavras.
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