Questão FC506418
Texto II Depois que (Marina Colasanti) Carregava consigo um vasto cemitério. Amigos, parentes haviam se deitado ao longo dos anos aumentando a carga, tumba a tumba. Ora com um ora
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBFC · 2023
Texto II
Depois que
(Marina Colasanti)
Carregava consigo um vasto cemitério. Amigos, parentes haviam se deitado ao longo dos anos aumentando a carga, tumba a tumba. Ora com um ora com outro, conversava em silêncio ou em voz baixa, sorridente, mantendo atualizada a relação, embora à distância.
Breve, chegaria a sua vez. Mas não se incorporaria ao seu próprio cemitério. Seria carregado por alguém, filho ou mulher, passando a fazer parte de outro repertório. E inquietava-se menos consigo do que com o silêncio que, como uma hera, tomaria as lápides com as quais havia dialogado tão longamente.
Os vocábulos “cemitério” e “repertório”, no texto, podem ser entendidos simbolicamente, apontando, assim, para um conjunto de:
- lápides.
- lembranças.
- mulheres.
- tumbas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
No texto, tanto cemitério quanto repertório funcionam como imagens simbólicas para um conjunto de memórias.
O narrador carrega um "cemitério" formado por amigos e parentes que já morreram; cada "tumba" representa uma lembrança individual. Essas palavras não designam espaços físicos, mas o acervo afetivo que ele conserva.
Ao imaginar sua própria morte, o sujeito prevê que será levado por outra pessoa e, assim, passará a integrar o repertório de alguém outro, isto é, o conjunto de lembranças que essa pessoa terá dele.
Elementos como "lápides" e "silêncio" reforçam a ideia de memória que envelhece ou enfraquece com o tempo. Portanto, o sentido mais adequado das imagens é o de lembranças.
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