Questão FC506438
Texto IV Telhado quebrado com gente morando dentro (fragmento) (Jarid Arraes) Acho injusto que entre nós duas, Juliana e eu, a necessidade constante de salvação tenha encontrado me
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBFC · 2023
Texto IV
Telhado quebrado com gente morando dentro
(fragmento)
(Jarid Arraes)
Acho injusto que entre nós duas, Juliana e eu, a necessidade constante de salvação tenha encontrado meu coração e não o dela. Acho injusto porque, ao contrário do que se fala por aí sobre duas irmãs com idades próximas, nunca fomos rivais, nunca disputamos a atenção dos nossos pais, nunca tivemos inveja uma da outra. Sempre fomos parceiras, amigas, cúmplices do crime que era ser menina num mundo todo feito para nos dobrar, dobrar e dobrar até que a coluna não aguentasse.
De todas as meninas que eu conheci, desde que me lembro, Juliana sempre foi a mais forte. Fazia o tipo mãe de todas. Era a que separava as brigas, a que dizia para os meninos irem tomar banho quando estavam fedendo demais, a que parava a brincadeira quando alguma coisa saía do controle. Minha irmã era chamada quando alguém caía e se machucava. O nome simplesmente saía da boca, porque sim, porque era fácil, porque era isso mesmo. “Juliana”, com o último “a” durando um tempo sem fim. [...]
Uma das funções atribuídas ao texto IV literário é a social. Diante disso, assinale a alternativa correta.
- A problematização acerca das relações familiares apresenta, no texto, a caracterização de uma época específica.
- O papel da maternidade conferido à menina subverte as relações de gênero comumente apreendidas na sociedade.
- A ênfase aos sentimentos e comportamentos pessoais limita a abordagem do tema da condição da mulher.
- A representação subjetiva da crítica proposta pela narradora personagem inviabiliza a apreensão de seu ponto de vista.
- A experiência privada é ampliada em uma crítica mais geral em relação à condição da mulher.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Experiência privada: o trecho parte de uma memória íntima, a relação entre irmãs e a descrição detalhada de Juliana como “a mais forte” e “mãe de todas”. Esses traços pessoais compõem a voz narrativa e o cenário vivido pela personagem.
Universalização: ao articular sensações individuais (cansaço, necessidade de salvação, papéis impostos) a narradora desloca o foco do singular para o coletivo. A experiência particular torna-se exemplo representativo de situações vividas por muitas mulheres.
Crítica social: essa transposição transforma o relato em uma crítica à condição feminina, mostrando como expectativas de cuidado e resistência moldam identidades. Assim, o texto usa o íntimo para denunciar uma realidade social mais ampla.
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