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Questão FC506461

Texto I Pense em quantos anos foram necessários par a chegarmos a este ano quantas cidades para chegar a esta cidade e quantas mães, todas mortas, até tua mãe quantas línguas até q

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBFC · 2023

Texto I

 

Pense em quantos anos foram necessários par

a chegarmos a este ano

quantas cidades para chegar a esta cidade

e quantas mães, todas mortas, até tua mãe

quantas línguas até que a língua fosse esta

e quantos verões até precisamente este verão

este em que nos encontramos neste sítio

exato

à beira de um mar rigorosamente igual

a única coisa que não muda porque muda sempre

quantas tardes e praias vazias foram necessárias

para chegarmos ao vazio

desta praia nesta tarde

quantas palavras até esta palavra, esta

 

(MARQUES, Ana Martins. O livro das semelhanças. São Paulo: Companhia das Letras. 2015. P.70)

 

A partir da leitura atenta do texto, nota-se que o eu poético, por meio de uma estrutura paralelística, convoca o leitor a refletir acerca da tensão entre:

  1. diferentes versões de algo em momentos distintos do tempo.
  2. a angústia da passagem do tempo e o desejo de conservação.
  3. o excesso de versões que não caracteriza alteração ou mudança.
  4. o caráter quantitativo e o qualitativo das coisas representadas.
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Gabarito

A

Comentário do professor

O poema organiza uma série de perguntas paralelísticas — quantos anos, quantas cidades, quantas línguas, quantos verões — que culminam na situação presente. Essa estrutura evidencia a ideia de múltiplas ocorrências que antecedem e moldam o agora.

Ao listar versões sucessivas de um mesmo elemento, o eu poético convida o leitor a perceber a tensão entre cada instância anterior e a instância atual, ou seja, entre as diferentes versões de algo ao longo do tempo.

A repetição anafórica funciona como evidência de variação histórica: as formas mudam, acumulam-se e desembocam naquilo que chamamos de presente.

A frase a única coisa que não muda porque muda sempre traduz o paradoxo temporal presente no poema e reforça a reflexão sobre transformação contínua.

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