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Questão FC506463

Texto II [...] o estudo de gramática não é um caminho conveniente para desenvolver o desempenho na leitura e na escrita (muito menos na fala). Outra coisa que a gramática não dever

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBFC · 2023

Texto II

 

[...] o estudo de gramática não é um caminho conveniente para desenvolver o desempenho na leitura e na escrita (muito menos na fala). Outra coisa que a gramática não deveria ser é um instrumento de ensino normativo. Aqui, sua ação tem sido mais que inútil, tem sido desastrosa.

 

O grande perigo é transformar a gramática – uma disciplina já em si um tanto difícil – em uma doutrina absolutista, dirigida mais ou menos exclusivamente à “correção” de pretensas impropriedades linguísticas dos alunos. A cada passo, o aluno que procura escrever encontra essa arma apontada contra sua cabeça: “Não é assim que se escreve (ou se fala)”, “Isso não é português” e assim por diante.

 

(PERINI, Mario A. Gramática descritiva do português. São Paulo: Ed. Ática, 2003. p.33)

 

O autor apresenta reflexões acerca do ensino da Língua Portuguesa e considera que:

  1. a gramática é uma ferramenta bastante eficiente para a formação de leitores.
  2. o ensino escolar da gramática normativa não possui relevância para o falante.
  3. o ensino acrítico das normas gramaticais pode provocar preconceito linguístico.
  4. a correção gramatical não deve ser realizada no ensino de uma língua materna.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

O autor afirma que a prática escolar que aplica a gramática sem reflexão pode gerar preconceito linguístico. "A cada passo, o aluno que procura escrever encontra essa arma apontada contra sua cabeça: 'Não é assim que se escreve', 'Isso não é português'."

Com isso, o texto mostra como a gramática transformada em doutrina absolutista funciona como instrumento de rotulação, marcando variações linguísticas legítimas como inferiores ou erradas.
Esse processo estigmatiza falantes e cria barreiras sociais e comunicativas.

Portanto, o autor defende que o ensino não deve se limitar à correção acrítica, pois essa postura alimenta o preconceito contra usos diversos da língua e prejudica a aprendizagem efetiva.

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