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Questão FC506465

Texto VII Poupemos ao leitor a narração da cena vergonhosa que aí se deu. Contentemo-nos com dizer que Leôncio esgotou todos os meios brandos e persuasivos ao seu alcance para conv

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBFC · 2023

Texto VII

 

Poupemos ao leitor a narração da cena vergonhosa que aí se deu. Contentemo-nos com dizer que Leôncio esgotou todos os meios brandos e persuasivos ao seu alcance para convencer a rapariga que era do interesse e dever dela render-se a seus desejos. Fez as mais esplêndidas promessas e os mais solenes protestos; abaixou-se até as mais humildes súplicas e arrastou-se vilmente aos pés da escrava, de cuja boca não ouviu senão palavras amargas e terríveis exprobrações e, vendo enfim que eram infrutíferos todos esses meios, retirou-se cheio de cólera, vomitando as mais tremendas ameaças.

 

(GUIMARÃES, Bernardo. A Escrava Isaura. São Paulo: Principis, 2021, p.63)

 

O projeto de construção de uma identidade nacional para o país no século XIX contou com a construção de romances que, simbolicamente, apontassem para um imaginário de país. Assinale a alternativa que apresenta um traço constituinte do contexto de publicação e circulação dessas obras.

  1. a objetividade da adjetivação caracterizando a postura sentimental.
  2. a sequência decrescente de ações inviabilizando o clímax.
  3. a interlocução como forma de aproximar o público dos folhetins.
  4. o emprego de um narrador onisciente que não se posiciona na linguagem.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Interlocução é a estratégia narrativa em que o narrador dirige-se diretamente ao leitor, criando um canal de comunicação explícito. No trecho, a expressão "Poupemos ao leitor a narração..." exemplifica essa inscrição do público dentro do enredo.

Em folhetins do século XIX, essa técnica aproximava o leitor ao texto, gerando complicidade e expectativa entre os capítulos publicados em série. A fala do narrador funciona como convite e regulação das emoções do público, orientando como interpretar eventos e juízos morais.

Além de fomentar a fidelidade do leitor às próximas entregas, a interlocução facilita a construção de um imaginário coletivo, pois transforma a leitura em experiência partilhada e orientada, condição importante para a circulação dos romances e sua influência cultural.

Portanto, a interlocução é recurso eficaz para aproximar o público dos folhetins e consolidar sua recepção.

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