Questão FC506489
Texto Uma câmera na mão e uma pergunta na cabeça: “Como seria a vida dos cães de moradores de rua?” Foi assim que o inquieto e curioso fotógrafo Edu Leporo, de São Paulo, especiali
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBFC · 2022
Texto
Uma câmera na mão e uma pergunta na cabeça: “Como seria a vida dos cães de moradores de rua?” Foi assim que o inquieto e curioso fotógrafo Edu Leporo, de São Paulo, especialista em retratos de animais em estúdio, iniciou sua nova jornada rumo à solidariedade.
Voltando de um trabalho, encontrou uma família de moradores de rua com três cães. Abordou-os e, no fim dos breves cliques, descobriu que o casal estava indo para a avenida Paulista. “Vão fazer o que lá?”, perguntou Leporo. “Vamos ao McDonald’s. Nossos cachorros gostam do sorvete de lá”, contou a dupla, que dividia o pouco que arrecadava com a venda de latinhas de alumínio com os seus bichinhos.
Era 2012 e aquela experiência nunca mais sairia da memória do fotógrafo. Tanto que a descoberta deste universo de afeto e respeito tornou-se combustível para o Moradores de Rua e Seus Cães (MRSC), projeto que nasceu oficialmente em 2015, também na capital paulista.
Uma foto daquela dupla com seus cães foi publicada nas redes sociais de Leporo, gerando imenso interesse e comoção. O fotógrafo notou que, além de elogiar a beleza do clique, havia quem quisesse saber mais sobre os bastidores daquela imagem.
Era isso! Para dar visibilidade àquelas pessoas e a seus cães, alvos de inúmeros preconceitos, era preciso narrar as suas histórias. E foi assim, de clique em clique, que Leporo observou que, onde falta, por vezes comida e cobertor, transbordam amor e companheirismo.
“Um cachorro é, às vezes, o único vínculo que o morador de rua consegue ter com a sociedade. É com ele que tem amor, carinho e respeito”, afirma o fotógrafo, que já se deparou com histórias como a de seu José, morador da praça João Mendes, na região central de São Paulo, que viveu mais de 45 anos nas ruas, 14 deles ao lado do pequeno Duque. [...]
(Revista Ocas, edição nº119, 2019)
Considere o fragmento abaixo.
“onde falta, por vezes comida e cobertor, transbordam amor e companheirismo” (5º§)
“comida/cobertor” e “amor/companheirismo” formam pares de substantivos que, respectivamente, classificam-se como concretos e abstratos. No texto, revelam uma oposição que é mais bem representada pelas seguintes ideias:
- materialidade e afetividade.
- pobreza e riqueza.
- saúde e doença.
- essencial e supérfluo.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa correta é explicada pela oposição semântica presente no trecho.
Os substantivos comida e cobertor são elementos concretos, designam bens palpáveis e necessidades físicas. Aqui representam a materialidade da vida dos moradores de rua.
Já amor e companheirismo são substantivos abstratos; nomeiam sentimentos e vínculos sociais. Esses termos evocam a dimensão emocional, ou seja, a afetividade.
No verso “onde falta, por vezes comida e cobertor, transbordam amor e companheirismo” a ideia é clara: a escassez de recursos materiais convive com a abundância de laços afetivos.
Por isso a oposição mais adequada é entre materialidade e afetividade, já que o texto contrapõe necessidades físicas e valores emocionais.
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