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Questão FC506521

Celebração da fantasia Foi na entrada da aldeia de Ollantaytambo, perto de Cuzco. Eu tinha me soltado de um grupo de turistas e estava sozinho, olhando de longe as ruínas de pedra,

Interpretação de Textos (Compreensão)

IBFC · 2022

Celebração da fantasia

 

Foi na entrada da aldeia de Ollantaytambo, perto de Cuzco. Eu tinha me soltado de um grupo de turistas e estava sozinho, olhando de longe as ruínas de pedra, quando um menino do lugar, esquelético, esfarrapado, chegou perto para me pedir que desse a ele de presente uma caneta. Eu não podia dar a caneta que tinha, porque estava usando-a para fazer sei lá que anotações, mas me ofereci para desenhar um porquinho em sua mão.

 

Subitamente, correu a notícia. E de repente me vi cercado por um enxame de meninos que exigiam, aos berros, que eu desenhasse em suas mãozinhas rachadas de sujeira e frio, pele de couro queimado: havia os que queriam condor e uma serpente, outros preferiam periquitos ou corujas, e não faltava quem pedisse um fantasma ou um dragão.

 

E então, no meio daquele alvoroço, um desamparadozinho que não chegava a mais de um metro do chão mostrou-me um relógio desenhado com tinta negra em seu pulso:

 

- Quem mandou o relógio foi um tio meu, que mora em Lima – disse.

 

- E funciona direito? – perguntei.

 

- Atrasa um pouco – reconheceu.

 

(GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre: L&PM, 2021, p. 39)

 

O texto é uma narrativa na qual se apresenta ao leitor uma percepção do lugar em que a história se passa, “a entrada da aldeia de Ollantaytambo”. Tal apresentação é feita, principalmente, por meio:

  1. da descrição das belezas paradisíacas.
  2. dos animais que habitam a região.
  3. dos pertences dos moradores.
  4. da condição física e social das crianças.
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Gabarito

D

Comentário do professor

O texto apresenta a aldeia de Ollantaytambo sobretudo por meio da condição física e social das crianças, que funcionam como indicador do lugar.

São dadas descrições concretas como "esquelético", "esfarrapado", "mãozinhas rachadas" e "pele de couro queimado", imagens que apontam para privações e fragilidade.

Os pedidos de desenhos nas mãos e o relógio desenhado que substitui um objeto real sugerem escassez de bens e vínculos familiares distantes, reforçando a leitura social do espaço.

Assim, a ambientação não vem de paisagens ou objetos, mas da representação corporal e do contexto socioeconômico das crianças, o que torna a alternativa correta.

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