Questão FC506566
Texto II O texto abaixo é um fragmento de uma obra de ficção do escritor brasileiro Lima Barreto, na qual é descrito um país imaginário, Bruzundanga. Os heróis A república da Bruzu
Interpretação de Textos (Compreensão)
IBFC · 2022
Texto II
O texto abaixo é um fragmento de uma obra de ficção
do escritor brasileiro Lima Barreto, na qual é descrito
um país imaginário, Bruzundanga.
Os heróis
A república da Bruzundanga, como toda pátria que se preza, tem também os seus heróis e as suas heroínas.
Não era possível deixar de ser assim, tanto mais que a pátria sempre foi feita para os heróis, e estes, sinceros ou não, cobrem e desculpam o que ela tem de sindicato declarado.
Um país como a Bruzundanga precisa ter os seus heróis e as suas heroínas para justificar aos olhos do seu povo a existência fácil e opulenta das facções que a têm dirigido.
O mais curioso herói da pátria bruzundanguense é sem dúvida uma senhora que nada fez por ela, antes perturbou-lhe a vida, auxiliando um aventureiro estrangeiro que se meteu nas suas guerras civis.
Para bem compreenderem o meu pensamento, é preciso que antes lhes recorde por alto alguns pontos da história política da Bruzundanga. Vou fazê-lo.
A atual República consta de territórios descobertos pelos iberos e povoados por eles e por outros povos das mais variadas origens.
Os colonizadores fundaram várias feitorias; e, quando fizeram a independência da Bruzundanga, essas feitorias ficaram sendo províncias do Império que foi criado.
Feita a República, elas ficaram mais ou menos como eram, com mais independência e outras regalias. Portanto, é claro que a evolução política da Bruzundanga tinha por expressão a unidade dessas províncias, e era mesmo o seu fim. Qualquer pessoa que tenha tentado, ou venha tentar, o desmembramento dessas províncias não pode ser tido como herói nacional.
Pois bem: um senhor estrangeiro, cheio de qualidades, talvez, meteu-se de parceria com uns rebeldes, para separar uma dessas províncias do bloco bruzundanguense. Isto ao tempo do Império. Em caminho, em umas das suas correrias, encontrou-se com uma moça da Bruzundanga que se apaixonou por ele. Seguiu-o nas suas aventuras e combates contra a união bruzundanguense. [...]
(BARRETO, Lima. Os Bruzundangas. São Paulo: Ed. Ática, 2011)
De acordo com o texto, os heróis e heroínas:
- representam um modelo de comportamento idealizado a ser seguido.
- são personagens restritos à construção histórica de poucos países.
- devem perdoar aqueles que se evolvam na direção de facções.
- são personagens incomuns na construção de uma ideia de pátria.
- contribuem para a elaboração de sentidos que justifiquem faltas de um país.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Alternativa E está correta porque o texto de Lima Barreto mostra que os heróis servem para construir sentidos que legitimem os defeitos do país.
Logo no trecho o autor afirma que eles “são para justificar aos olhos do seu povo a existência fácil e opulenta das facções que a têm dirigido” e que os heróis “cobrem e desculpam” o que a pátria tem de podre. Esses enunciados indicam função simbólica: criar narrativas que normalizam privilégios e ocultam erros.
Em síntese, a alternativa resume a leitura satírica do texto: os heróis produzem significados públicos que blindam e explicam, diante da população, as falhas e injustiças institucionais.
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