Questão FC54039
Remédios e Venenos No início do século XX, a indústria farmacêutica propagandeava as virtudes do ópio e da cocaína, puros e em vários remédios, para diversas finalidades, que eram
Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
FGV · 2014
Remédios e Venenos
No início do século XX, a indústria farmacêutica propagandeava as virtudes do ópio e da cocaína, puros e em vários remédios, para diversas finalidades, que eram consumidos livremente pela população, de crianças a idosos. Mas assim como não há registros da eficácia curativa dos remédios, também não há notícias de intoxicações e overdoses, e a ideia de "dependente de drogas" não existia.
Aracy de Almeida contava que, nos anos 30, se reunia com Noel Rosa, Mário Reis e outros artistas na Taberna da Glória e, quando a noite avançava e o cansaço chegava, mandavam um moleque à farmácia buscar "um bujãozinho de cocaína da Merck suíça", que era vendido legalmente no Brasil até 1937.
(....) Drogas sempre existiram, mas quando e como o consumo abusivo virou uma epidemia comportamental? Talvez nos anos 60, quando os hippies promoveram a cultura do LSD e da maconha, que eram associados ao ócio e à improdutividade, ao comportamento antissocial e à sensualidade pagã. A reação conservadora veio, nos Estados Unidos, com Nixon e a "guerra às drogas", que Reagan transformou em política de Estado, com os resultados desastrosos que se conhece e que fizeram tantos países repensar essa estratégia. Hoje a venda de maconha "medicinal" é livre em vinte estados americanos. Como no início do século XX.
No Uruguai, ela será comercializada pelo Estado, a preços populares (um terço da cotação atual na rua), mas sujeita a inúmeras, e inúteis, restrições. Estrangeiros não podem comprar, só fumar, e os usuários locais têm cota mensal de 40 gramas, mas podem vender a um amigo. Só 30% da população apoiam, mas o tabu foi quebrado e a experiência deles será uma pesquisa valiosa para nós.
(MOTTA, Nelson. O GLOBO, 13/12/2013)
"Aracy de Almeida contava que, (1) nos anos 30, se reunia com Noel Rosa, (2) Mário Reis e outros artistas na Taberna da Glória e, (3) quando a noite avançava e o cansaço chegava, (4) mandavam um moleque à farmácia buscar 'um bujãozinho de cocaína da Merck suíça', (5) que era vendido legalmente no Brasil até 1937".
No parágrafo destacado, há cinco ocorrências do emprego da vírgula, devidamente numerados.
Assinale a alternativa em que o emprego da vírgula está corretamente justificado.
- no caso (1) para marcar a intercalação de um adjunto.
- no caso (2) para indicar uma enumeração.
- no caso (3) para mostrar a presença de uma oração reduzida.
- no caso (4) para indicar a supressão de um verbo.
- no caso (5) para destacar a presença de uma oração restritiva
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Gabarito
B
Comentário do professor
A vírgula marcada em (2) separa nomes justapostos, formando uma enumeração: "Noel Rosa, Mário Reis e outros artistas".
Trata‑se de elementos coordenados do mesmo termo sintático, listados um após o outro; a vírgula entre eles é usada para separar os itens e facilitar a leitura.
Observe que não se coloca vírgula antes da conjunção e quando ela une o último elemento da enumeração, por isso a construção termina em "Mário Reis e outros artistas" sem vírgula adicional.
Portanto, o emprego da vírgula em (2) está corretamente justificado pela regra que exige a separação de elementos de uma enumeração.
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