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Questão FC54046

A Nova Praga Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

FGV · 2013

A Nova Praga

Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado da Língua Portuguesa – para saber que o étimo de nosso substantivo areia é o latim "arena". E, se qualquer pessoa sabe disso até por um instinto primário, é curioso, para usar um termo educado, como nossos locutores e comentaristas de futebol, debruçados sobre um gramado verde‐verdinho, chamam‐no de "arena", numa impropriedade gritante.

Nero dava boas gargalhadas, num comportamento que já trazia latente a sua loucura final, quando via os cristãos lutando contra os leões na arena. Nesse caso, se havia rictus de loucura na face do imperador, pelo menos o termo era totalmente apropriado: o chão da luta dramática entre homem e fera era de areia. Está aí para prová‐lo até hoje o Coliseu.

(....) Mas – ora bolas! –, se o chão é de relva verdejante, é rigorosamente impróprio chamar de “arena” nossos campos de futebol, como fazem hoje. O diabo é que erros infelizmente costumam se espalhar como uma peste, e nem será exagero dizer que, neste caso, o equívoco vem sendo tão contagioso como a peste negra que, em números redondos, matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Índia no século XIV. E os nossos pobres ouvidos têm sido obrigados a aturar os nossos profissionais que transmitem espetáculos esportivos se referirem à arena daqui, à arena de lá, à arena não sei de onde. Assim, já são dezenas de arenas por esse Brasilzão. O velho linguista e filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909‐1985), a cujo livro mais conhecido peço emprestado o título deste pequeno artigo, deve estar se revirando no túmulo diante da violência de tal impropriedade. O bom Alves era cego, ou quase isso, mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma.

(Marcos de Castro. www.observatoriodaimprensa.com.br)

No primeiro parágrafo do texto há um segmento entre travessões. O emprego desses travessões se justifica porque, entre eles, há uma
  1. explicação de um termo anteriormente expresso.
  2. retificação de um erro cometido no período anterior.
  3. observação de caráter pessoal sobre um vocábulo anterior.
  4. justificativa de um fato citado anteriormente.
  5. esclarecimento indispensável sobre um termo dado.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Observação de caráter pessoal: o segmento isolado entre travessos contém uma opinião e lembrança do autor sobre o ensino do Latim nas escolas e o prejuízo de sua supressão, não uma definição ou retificação.

Trata-se, portanto, de um comentário parentético de natureza subjetiva que interrompe o enunciado principal para acrescentar juízo de valor e contexto autobiográfico.

Esse trecho é acessório ao sentido central da frase, pode ser suprimido sem prejudicar a afirmação principal, e por isso justifica o uso de sinais de isolamento.

Em suma, a marcação indica que ali há uma observação pessoal sobre o vocábulo e seu contexto histórico-educativo, o que corresponde à alternativa correta.

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