Questão FC54048
Texto Não foi só pelos beagles... A experimentação animal é uma fraude científica inicialmente questionada em 1968 por Hans Ruesch, através de dois livros – “Matança de inocentes”
Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
FGV · 2013
A “ciência médica” atual se conceituou como “a verdadeira” no fim do século XIX, apoiada por interesses econômicos, pois até então a “ciência natural” era a mais usada no mundo. Foram os magnatas americanos Carnegie e Rockefeller, interessados em investir na fabricação de remédios utilizando os subprodutos das suas empresas de siderurgia e petróleo, que financiaram um estudo sobre “A Educação Médica nos EUA e Canadá”, encomendado ao educador Abraham Flexner.
Antevendo as possibilidades apontadas pelo Relatório Flexner (1910), o governo americano passou a dar total ênfase à microbiologia e à farmacologia, começando, então, o uso de drogas pesadas e os testes sistemáticos com animais como método “científico”. No Brasil tal reforma é implantada em 1968 sob os auspícios da Fundação Rockefeller.
Sendo o homem um animal de rebanho, deixa de pensar ou contestar se está seguindo um líder. As grandes reformas socioculturais foram feitas por minorias desertoras de rebanhos. Hoje ativistas ocupam essa função questionadora por saber que a experimentação animal é feita somente como garantia jurídica contra qualquer desastre farmacológico. Por isso, bulas quilométricas acompanham os medicamentos.
A “ciência atual’ investe na magia e não na lógica. O estudante é induzido a não pensar, a assimilar pensamentos alheios e se curvar às autoridades. Os médicos licenciados são sacerdotes dessa religião que não perdoa os opositores das “verdades” médico‐científicas. Bruxas continuam sendo queimadas.
Nos três primeiros parágrafos do texto, o emprego das aspas tem valor irônico em
- “Matança de Inocentes”
- “A grande fraude”
- “ciência médica”
- “ciência natural”
- “científico”
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Na frase do texto, as aspas em "científico" exercem valor irônico, ou seja, sinalizam que o autor não aceita o sentido literal do termo, há um distanciamento crítico.
As aspas funcionam como scare quotes, indicando que a palavra é usada de modo contestado, questionado ou pejorativo, não como qualidade inquestionável.
No contexto, os autores descrevem práticas impostas por interesses econômicos, portanto o uso de "científico" revela dúvida sobre a legitimidade do método, e sugere crítica ao seu caráter supostamente objetivo.
Linguisticamente, esse emprego destaca a impropriedade ou ironia em torno do vocábulo, convocando o leitor a desconfiar da autoridade associada à expressão.
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