Questão FC544735
Já imaginou uma cidade sem o SUS?
Morfologia
FUNDATEC · 2025
Já imaginou uma cidade sem o SUS?
Por Super Interessante
Já imaginou acordar com dor de dente e precisar vender a geladeira para pagar o tratamento? Ou abrir a torneira de casa e não ter água potável? Parece cenário de filme distópico, mas esse era o Brasil antes de 1988. Foi só com a Constituição que nasceu o SUS – o sistema público que transformou a saúde em um direito universal. Hoje, o SUS está em cada detalhe da vida de quem vive no Brasil – não importa se a pessoa é brasileira ou estrangeira, se mora no centro ou na periferia. Ele é presença constante, mesmo quando passa despercebido: da vacina que protege milhões à vigilância que garante alimentos seguros, dos transplantes de órgãos ao atendimento nas comunidades. São inúmeras as frentes de atuação. Sem o SUS, vítimas de acidentes ficariam sem atendimento imediato. Com o SAMU 192, o socorro ocorre 24 horas por dia. Presente em quase 4.000 municípios, o serviço cobre mais de 80% da população e garante transporte emergencial seguro até o hospital. Diante de enchentes ou deslizamentos, grande parte da população ficaria sem atendimento, mas é nesse momento que a Força Nacional do SUS se mobiliza: médicos, enfermeiros e especialistas em saúde emergencial, levando insumos, vacinas, medicamentos e montando estruturas provisórias de atendimento.
Para além disso, um estudo avaliou a cobertura de registro de partos no Brasil, de 2012 a 2020, e descobriu que a cobertura nacional de registro de partos no SUS foi estimada em 80,6%. Um parto em hospital privado sai caro. Sem poder pagar o valor, grande parte das gestantes arriscaria dar à luz em casa, muitas vezes sem segurança. O SUS garante pré-natal, exames e parto gratuitos. E depois? Doenças como pólio, sarampo e difteria voltariam a circular livremente. Graças ao Programa Nacional de Imunizações — um dos maiores do mundo —, em 2023 e 2024 o Brasil distribuiu gratuitamente mais de 604 milhões de doses de imunobiológicos.
E, sem fiscalização, alimentos mal armazenados e cozinhas sem higiene provocariam surtos de intoxicação. A Vigilância Sanitária do SUS inspeciona desde pequenos restaurantes até grandes indústrias. Em 2024, as VISAs espalhadas por todo o Brasil realizaram milhares de fiscalizações para garantir padrões de higiene em todo o país. Sem atendimento acessível, até mesmo um resfriado afastaria trabalhadores por dias, prejudicando famílias e negócios locais. Porta de entrada do SUS, as Unidades Básicas de Saúde oferecem consultas, exames e acompanhamento contínuo a milhões de brasileiros. São cerca de 50.000 unidades em funcionamento em todo o país. Sem o SUS, arcar com o tratamento de hipertensão ou diabetes seria inviável para milhões de famílias. O sistema distribui medicamentos gratuitos pelo programa Farmácia Popular, presente em 86% das cidades, com mais de 31.000 estabelecimentos. Mais que um sistema de saúde, o SUS é a maior política pública de inclusão social desde a redemocratização, um patrimônio nacional e uma conquista coletiva que assegura respeito, equidade e vida digna para todas as pessoas.
(Disponível em: https://super.abril.com.br/sociedade/ja-imaginou-uma-cidade-sem-o-sus/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Analise os excertos a seguir e a classificação gramatical e sintática dos termos destacados, de acordo com o contexto, e assinale a alternativa correta.
- No trecho “o sistema público que transformou a saúde em um direito universal”, o termo “que” é uma conjunção integrante que introduz uma oração subordinada substantiva, completando o sentido do verbo principal.
- Na frase “Um estudo avaliou [...] e descobriu que a cobertura nacional de registro de partos no SUS foi estimada em 80,6%”, o termo “que” é um pronome relativo que retoma o antecedente “estudo”, exercendo função de objeto direto na oração subordinada.
- A locução conjuntiva “mesmo quando” em “Ele é presença constante, mesmo quando passa despercebido” possui valor temporal puro, indicando simultaneidade de tempo com a oração principal.
- Na oração “Parece cenário de filme distópico, mas esse era o Brasil antes de 1988”, a conjunção destacada é coordenativa adversativa, estabelecendo uma relação de oposição ou ressalva entre a expectativa sugerida pela primeira oração e a realidade histórica.
- Em “grande parte das gestantes arriscaria dar à luz em casa, muitas vezes sem segurança”, o termo “sem” funciona como uma conjunção subordinativa concessiva que introduz uma oração reduzida, admitindo uma ideia contrária à principal.
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Gabarito
D
Comentário do professor
"Mas" funciona aqui como conjunção coordenativa adversativa. Liga duas orações independentes e aponta uma relação de contraste entre elas.
Sintaticamente, "Parece cenário de filme distópico" e "esse era o Brasil antes de 1988" são orações coordenadas; o conectivo não subordina uma à outra, apenas estabelece oposição ou ressalva.
Semanticamente, o primeiro enunciado cria uma expectativa hipotética; o mas introduz a realidade histórica que a contradiz. Equivale a termos como porém, entretanto e todavia.
Observação prática: o adversativo costuma vir separado por vírgula, como no enunciado, marcando claramente a mudança de ideia.
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