Questão FC544774
Morcegos infestam escolas indígenas no Xingu construídas para compensar Belo Monte Por Isabel Seta Pelo menos duas escolas de aldeias indígenas no Médio Xingu, no Pará, estão tomad
Semântica
FUNDATEC · 2025
Morcegos infestam escolas indígenas no Xingu construídas para compensar Belo Monte
Por Isabel Seta
Pelo menos duas escolas de aldeias indígenas no Médio Xingu, no Pará, estão tomadas por infestações de morcegos que impedem a realização de aulas para cerca de 150 alunos.
Imagens exclusivas obtidas pela Agência Pública mostram o piso de lajotas das construções coberto por uma espessa camada de cor marrom. As paredes brancas estão sujas de rastros de fezes. Em várias salas, o forro do teto cedeu, tamanho o peso dos dejetos. Nos banheiros, insetos se aglomeram em cima da sujeira. Em um vídeo gravado para a reportagem, é possível escutar o som dos morcegos.
É nesta situação insalubre que se encontram as escolas da aldeia Iriril, localizada na Terra Indígena Cachoeira Seca, lar de quase 2.000 indígenas Arara, e da aldeia Ita’Aka, na Terra Indígena Koatinemo, onde vivem cerca de 300 pessoas da etnia Assurini do Xingu. A maior parte dos dois territórios indígenas está no município de Altamira.
Ambas as escolas foram construídas pela empresa Norte Energia como parte das ações de compensação pela Usina Belo Monte. A segunda maior hidrelétrica do Brasil afetou 13 Terras Indígenas, barrou o fluxo do rio Xingu – impactando dezenas de espécies – e expulsou ribeirinhos e beiradeiros de suas casas, empurrando-os para periferias de centros urbanos, como o de Altamira.
Há relatos de outros casos de infestação, porém eles não foram documentados. Como todas as escolas da Norte Energia foram construídas da mesma forma, com o mesmo forro, é possível que o problema se repita em mais lugares.
A situação vem à tona no momento em que a licença de operação de Belo Monte completa três anos vencida. A autorização expirou em 24 de novembro de 2021, mas como a empresa pediu a renovação dentro do prazo estipulado por lei, a usina pode continuar operando até a manifestação definitiva do Ibama, que ainda não se pronunciou sobre a renovação ou não da licença.
“O odor é muito forte. A gente tem medo de causar doença. Dá muita dor de cabeça nos nossos filhos”, relata Tyapompo Arara, da aldeia Iriri, onde a presença dos animais já comprometeu a rede elétrica, deixando a escola no escuro.
A preocupação com a saúde é justificada, já que morcegos podem transmitir doenças infecciosas graves, como raiva e leptospirose.
“A estrutura está cada vez mais sendo danificada. Isso nos deixa muito preocupados. A gente vem passando essa informação para a Norte Energia, para os órgãos e até agora não tomaram providências”, afirma Kwai Assurini, cacique da aldeia Ita’Aka.
(Disponível em: apublica.org/2024/11/morcegos-tomam-escolas-indigenas-feitas
-para-compensar-belomonte/– texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o fragmento “A situação vem à tona no momento em que a licença de operação de Belo Monte completa três anos vencida” e o sentido transmitido pela expressão destacada, infere-se predominantemente que a situação mencionada no trecho foi:
- Mantida em segredo pelas autoridades responsáveis e continua sem divulgação.
- Encoberta rapidamente, evitando sua divulgação ao público.
- Considerada irrelevante pelas autoridades; por isso, foi ignorada.
- Solucionada imediatamente após ser identificada pela comunidade.
- Revelada ou trazida ao conhecimento público no contexto de outro fato relevante.
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Comentário do professor
A alternativa E explica corretamente o sentido de "vem à tona": trata-se de algo que é revelado ou trazido ao conhecimento público.
Na oração, a informação sobre as escolas infestadas aparece no mesmo momento em que se noticia o prazo vencido da licença de Belo Monte, o que cria um contexto relevante que expõe o problema.
Assim, a expressão comunica simultaneidade e visibilidade pública da ocorrência, sem sugerir que a situação foi criada pela licença ou que já foi resolvida.
Portanto, predomina a ideia de que o problema foi tornou-se conhecido em função do contexto noticioso, justificando a escolha da alternativa E.
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