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Questão FC544778

O prefixo latino “in-” pode expressar negação. Sendo assim, em qual dos vocábulos do texto a ocorrência de “in-” expressa essa ideia?

Semântica

FUNDATEC · 2025

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste

 

Por Cláudia Laitano

 

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste onde a lei ainda não chegou — ou chegou, mas ninguém deu bola. Como a maioria de nós trabalha, estuda, se informa, escolhe candidato, bate papo, namora e se diverte — ou seja, vive — nesse ambiente em que corporações transnacionais obedecem, ou não, às leis conforme a própria conveniência, somos todos figurantes involuntários nesse faroeste high-tech.

 

Para sobreviver no Forte Apache, é preciso aprender a desviar do tiroteio: distorção de fatos, inteligência artificial usada de forma maliciosa, descontextualização, linchamentos virtuais, influencers picaretas, golpes, crimes e armadilhas em geral (como as tais apostas, “bets”, que se transformaram em mania e tragédia nacional). Mas enquanto alguns se encolhem, outros prosperam. Oportunistas de diferentes naturezas, de bilionários a ladrões de galinha, aproveitam o banzé no Oeste para acumular dinheiro, poder e/ou influência às custas da ignorância alheia, sob o olhar impotente de governos e da sociedade civil.

 

No meu faroeste favorito, O Homem que Matou o Facínora (1962), até existe um xerife, mas é de faz-de-conta. Sendo assim, o bandido Liberty Valance (Lee Marvin) tem o caminho livre para barbarizar. Ninguém pode com ele. Nem a polícia, nem os políticos, nem a imprensa e nem mesmo o caubói mais valente do lugar, Tom Doniphon (John Wayne). As coisas começam a mudar quando um advogado, Ransom Stoddard (James Stewart), chega à cidade com a mala carregada de livros e ideias de justiça. Ele não é páreo para um duelo à moda antiga, mas pode ensinar as crianças a ler e os adultos a se unirem em busca do que é o melhor e mais justo para a maioria.

 

Na mitologia americana, James Stewart é “o sistema”, ou seja, a lei, a democracia, a república. Mas o duelo final, desculpem o spoiler, não é resolvido pelo sujeito sabido da cidade grande, mas entre os dois caubóis: o do bem, John Wayne, e o do mal, Lee Marvin.

 

Sujeitos como Elon Musk imaginam-se como cavaleiros solitários, bons de briga, que não precisam da lei nem do Estado para resolver as coisas a seu modo. Gostam de se proclamar defensores da liberdade, mas só quando lhes é interessante. Espalham medo e desordem, mas, quando se olham no espelho, veem John Wayne, e não Lee Marvin. A seu modo, são uma versão atualizada do facínora que tem prazer em barbarizar o vilarejo — protegidos, até segunda ordem, pela ausência de limites e de xerife.

 

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2024/09– texto adaptado especialmente para esta prova).

 

O prefixo latino “in-” pode expressar negação. Sendo assim, em qual dos vocábulos do texto a ocorrência de “in-” expressa essa ideia?

  1. Internet.
  2. Involuntários.
  3. Inteligência.
  4. Imprensa.
  5. Interessante.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Involuntários é formado pelo prefixo in- mais o radical voluntário. Nesse vocábulo, o elemento in- tem valor privativo, ou seja, indica negação do sentido original do radical.

O radical voluntário refere-se a algo feito por vontade própria. Ao acrescentar in-, obtém-se a ideia contrária: algo que não é voluntário, que ocorre sem intenção ou sem adesão consciente.

Morfologicamente, trata-se de um processo de derivação prefixal: o prefixo independe do radical para formar um novo léxico com sentido oposto.

Exemplos semelhantes ajudam a reconhecer o papel do prefixo: in + útil = inútil (não útil), mantendo a função privativa do prefixo.

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