Questão FC544846
Leia o texto para responder a questão abaixo. A Fobia do Nada Por que executivos desenvolvem aversão ao vazio produtivo Por Claudia Miranda Gonçalves Um cliente meu, que é um execu
Sintaxe
Unifil · 2025
Leia o texto para responder a questão abaixo.
A Fobia do Nada
Por que executivos desenvolvem aversão ao vazio produtivo
Por Claudia Miranda Gonçalves
Um cliente meu, que é um executivo, estava há muito tempo em uma empresa e cogita uma transição. Depois de meses avaliando uma mudança de carreira, tinha clareza sobre seus próximos passos - mas ainda não tinha uma nova posição assegurada. Quando compartilhou seus planos com amigos e parentes, a reação foi unânime: “Não saia antes de ter outra coisa engatilhada.” Ele suspendeu o movimento.
Mas o que realmente o paralisou não foi a sabedoria financeira do conselho. Foi o terror do vazio. A perspectiva de alguns meses sem título, sem função, sem a validação diária de ser “necessário” em algum lugar. O preço que ele tem pagado por evitar essa suspensão temporária de relevância? A erosão gradual de sua autoestima e dignidade, preso em uma posição que já não o serve.
Do que você realmente tem medo quando para de produzir valor? A resposta mais honesta talvez não seja “instabilidade financeira” ou “prejuízo na carreira”. Pode ser algo muito mais primitivo: o terror do vazio, de descobrir quem você é quando não está sendo “executivo de alguma coisa”.
Desenvolvemos uma condição comportamental devastadora: intolerância crônica ao vazio produtivo - uma incapacidade de tolerar momentos ou períodos que não geram resultado mensurável. Por trás dessa compulsão se esconde nosso maior medo: a irrelevância.
A Dependência da Estimulação Constante
Como o meu cliente acima, muitos de nós desenvolvemos vício comportamental nos picos de dopamina gerados pela produtividade constante. Neurocientistas identificam esse padrão: como qualquer dependência, exige doses crescentes de estímulo para manter a sensação de estar vivo, relevante e importante.
O tédio - estado neurológico essencial para consolidação de memórias e insights genuínos - virou inimigo público #1. Transformamos cada momento de baixa estimulação em “oportunidade de desenvolvimento”. Férias e caminhadas viraram “retiros de crescimento pessoal”.
A hipervigilância constante - estado de alerta permanente típico de ambientes de alta pressão - impede que o cérebro acesse o “modo padrão”, rede neuronal ativa durante momentos de repouso que é crucial para criatividade, autoconhecimento e regulação emocional.
Como viciados em movimento, desenvolvemos tolerância: precisamos de cada vez mais atividade para nos sentirmos produtivos. A parada gera síndrome de abstinência real: ansiedade, culpa, sensação física de estar “desperdiçando a vida”. Mas o que realmente tememos não é desperdiçar tempo - é enfrentar a pergunta: “Quem sou eu sem meu cargo?”
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Disponível em https://www.estadao.com.br/economia/lentes-dedecisao/ a-fobia-do-nada/
Considere o período: “O preço que ele tem pagado por evitar essa suspensão temporária de relevância? A erosão gradual de sua autoestima e dignidade, preso em uma posição que já não o serve.”. Assinale a alternativa que faz a análise sintática e interpretativa mais precisa do trecho.
- A segunda frase (“A erosão gradual...”) funciona como predicativo do sujeito da primeira, que está oculto. O termo “preso” é um adjetivo que caracteriza o substantivo “preço”.
- A estrutura é formada por um período composto por coordenação, em que a segunda oração é assindética e tem valor explicativo em relação à pergunta retórica anterior.
- O termo “preso” introduz uma oração subordinada adjetiva reduzida de particípio, que modifica o sujeito elíptico (“ele”), e o segmento “A erosão gradual de sua autoestima e dignidade” funciona como um aposto explicativo para “O preço”.
- Trata-se de um período simples com sujeito desinencial (“ele”), cujo predicado é “tem pagado”. A expressão “A erosão gradual...” é um objeto direto que responde à pergunta.
- A pergunta retórica é a oração principal, e “A erosão gradual...” é uma oração subordinada substantiva objetiva direta que a completa.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O termo “preso” atua como particípio que introduz uma oração subordinada adjetiva reduzida de particípio, equivalendo a uma construção como “que está preso em uma posição que já não o serve”. A redução ocorre pela omissão do verbo auxiliar e do pronome relativo, forma comum quando se quer enxugar a expressão.
A referência de “preso” é o sujeito elíptico “ele”, pois a flexão de gênero e número do particípio (masculino) afasta a relação com o segmento feminino anterior. Esse particípio, separado por vírgula, tem valor explicativo sobre quem sofre a condição.
O segmento “A erosão gradual de sua autoestima e dignidade” funciona como aposto explicativo de “O preço”, ou seja, explica e especifica o conteúdo desse preço. Não é oração nem complemento verbal, mas frase nominal que esclarece o substantivo antecedente.
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