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Questão FC544870

Leia o texto para responder a questão abaixo. A Fobia do Nada Por que executivos desenvolvem aversão ao vazio produtivo Por Claudia Miranda Gonçalves Um cliente meu, que é um execu

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

Unifil · 2025

Leia o texto para responder a questão abaixo.

A Fobia do Nada

Por que executivos desenvolvem aversão ao vazio produtivo

 

Por Claudia Miranda Gonçalves

 

Um cliente meu, que é um executivo, estava há muito tempo em uma empresa e cogita uma transição. Depois de meses avaliando uma mudança de carreira, tinha clareza sobre seus próximos passos - mas ainda não tinha uma nova posição assegurada. Quando compartilhou seus planos com amigos e parentes, a reação foi unânime: “Não saia antes de ter outra coisa engatilhada.” Ele suspendeu o movimento.

 

Mas o que realmente o paralisou não foi a sabedoria financeira do conselho. Foi o terror do vazio. A perspectiva de alguns meses sem título, sem função, sem a validação diária de ser “necessário” em algum lugar. O preço que ele tem pagado por evitar essa suspensão temporária de relevância? A erosão gradual de sua autoestima e dignidade, preso em uma posição que já não o serve.

 

Do que você realmente tem medo quando para de produzir valor? A resposta mais honesta talvez não seja “instabilidade financeira” ou “prejuízo na carreira”. Pode ser algo muito mais primitivo: o terror do vazio, de descobrir quem você é quando não está sendo “executivo de alguma coisa”.

 

Desenvolvemos uma condição comportamental devastadora: intolerância crônica ao vazio produtivo - uma incapacidade de tolerar momentos ou períodos que não geram resultado mensurável. Por trás dessa compulsão se esconde nosso maior medo: a irrelevância.

 

A Dependência da Estimulação Constante

 

Como o meu cliente acima, muitos de nós desenvolvemos vício comportamental nos picos de dopamina gerados pela produtividade constante. Neurocientistas identificam esse padrão: como qualquer dependência, exige doses crescentes de estímulo para manter a sensação de estar vivo, relevante e importante.

 

O tédio - estado neurológico essencial para consolidação de memórias e insights genuínos - virou inimigo público #1. Transformamos cada momento de baixa estimulação em “oportunidade de desenvolvimento”. Férias e caminhadas viraram “retiros de crescimento pessoal”.

 

A hipervigilância constante - estado de alerta permanente típico de ambientes de alta pressão - impede que o cérebro acesse o “modo padrão”, rede neuronal ativa durante momentos de repouso que é crucial para criatividade, autoconhecimento e regulação emocional.

 

Como viciados em movimento, desenvolvemos tolerância: precisamos de cada vez mais atividade para nos sentirmos produtivos. A parada gera síndrome de abstinência real: ansiedade, culpa, sensação física de estar “desperdiçando a vida”. Mas o que realmente tememos não é desperdiçar tempo - é enfrentar a pergunta: “Quem sou eu sem meu cargo?”

[...]

 

Disponível em https://www.estadao.com.br/economia/lentes-dedecisao/ a-fobia-do-nada/

 

No trecho “Desenvolvemos uma condição comportamental devastadora: intolerância crônica ao vazio produtivo...”, o uso dos dois-pontos cumpre a função sintática e semântica de

  1. introduzir uma citação de autoridade para validar a existência da “condição comportamental devastadora”.
  2. apresentar uma enumeração das várias condições comportamentais que afetam os executivos.
  3. marcar uma inversão sintática, na qual o sujeito da oração (“intolerância crônica”) é apresentado após o verbo.
  4. iniciar uma oração coordenada explicativa que detalha o motivo pelo qual a condição é considerada “devastadora”.
  5. introduzir um aposto especificativo, que define e esclarece qual é a “condição comportamental devastadora” mencionada anteriormente no período.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

O uso dos dois-pontos aliiza-se para introduzir um aposto especificativo. Ou seja, o segmento que segue explicita e reatribui sentido ao substantivo anterior.

No enunciado, os dois-pontos anunciam a explicação: intolerância crônica ao vazio produtivo funciona como aposto que define a “condição comportamental devastadora”, tornando explícito do que se trata.

Sintaticamente, trata-se de uma expansão nominal: o aposto especifica o referente imediato, permanecendo em relação de equivalência com o termo antecedente.

Semanticamente, os dois-pontos marcam a passagem de enunciação para esclarecimento, sinalizando que o segmento seguinte vai esclarecer ou identificar com precisão o conceito mencionado.

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