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Questão FC544872

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste Por Cláudia Laitano A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste onde a lei a

Regência

FUNDATEC · 2025

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste

 

Por Cláudia Laitano

 

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste onde a lei ainda não chegou — ou chegou, mas ninguém deu bola. Como a maioria de nós trabalha, estuda, se informa, escolhe candidato, bate papo, namora e se diverte — ou seja, vive — nesse ambiente em que corporações transnacionais obedecem, ou não, às leis conforme a própria conveniência, somos todos figurantes involuntários nesse faroeste high-tech.

 

Para sobreviver no Forte Apache, é preciso aprender a desviar do tiroteio: distorção de fatos, inteligência artificial usada de forma maliciosa, descontextualização, linchamentos virtuais, influencers picaretas, golpes, crimes e armadilhas em geral (como as tais apostas, “bets”, que se transformaram em mania e tragédia nacional). Mas enquanto alguns se encolhem, outros prosperam. Oportunistas de diferentes naturezas, de bilionários a ladrões de galinha, aproveitam o banzé no Oeste para acumular dinheiro, poder e/ou influência às custas da ignorância alheia, sob o olhar impotente de governos e da sociedade civil.

 

No meu faroeste favorito, O Homem que Matou o Facínora (1962), até existe um xerife, mas é de faz-de-conta. Sendo assim, o bandido Liberty Valance (Lee Marvin) tem o caminho livre para barbarizar. Ninguém pode com ele. Nem a polícia, nem os políticos, nem a imprensa e nem mesmo o caubói mais valente do lugar, Tom Doniphon (John Wayne). As coisas começam a mudar quando um advogado, Ransom Stoddard (James Stewart), chega à cidade com a mala carregada de livros e ideias de justiça. Ele não é páreo para um duelo à moda antiga, mas pode ensinar as crianças a ler e os adultos a se unirem em busca do que é o melhor e mais justo para a maioria.

 

Na mitologia americana, James Stewart é “o sistema”, ou seja, a lei, a democracia, a república. Mas o duelo final, desculpem o spoiler, não é resolvido pelo sujeito sabido da cidade grande, mas entre os dois caubóis: o do bem, John Wayne, e o do mal, Lee Marvin.

 

Sujeitos como Elon Musk imaginam-se como cavaleiros solitários, bons de briga, que não precisam da lei nem do Estado para resolver as coisas a seu modo. Gostam de se proclamar defensores da liberdade, mas só quando lhes é interessante. Espalham medo e desordem, mas, quando se olham no espelho, veem John Wayne, e não Lee Marvin. A seu modo, são uma versão atualizada do facínora que tem prazer em barbarizar o vilarejo — protegidos, até segunda ordem, pela ausência de limites e de xerife.

 

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2024/09– texto adaptado especialmente para esta prova).

 

Ao proceder à troca de “transformaram” por “tornaram”, haverá necessidade de supressão de um(a) __________ a fim de atender à __________ do verbo.

 

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.

  1. pronome – concordância
  2. preposição – concordância
  3. pronome – regência
  4. preposição – regência
  5. preposição e pronome – concordância
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Gabarito

D

Comentário do professor

Ao trocar transformaram por tornaram, altera-se a exigência de ligação entre verbo e complemento. Por isso há necessidade de suprimir uma preposição.

O verbo transformar‑se exige a preposição em para introduzir o resultado: "transformaram em mania". Já tornar‑se liga‑se diretamente ao complemento, não pedindo preposição. Essa diferença pertence à regência verbal, que determina qual elemento conecta o verbo ao seu termo.

Portanto, para obedecer à regência de tornar‑se, elimina‑se a preposição em, resultando em: ...que se tornaram mania e tragédia nacional.

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