Questão FC544890
A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste Por Cláudia Laitano A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste onde a lei a
Regência
FUNDATEC · 2025
A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste
Por Cláudia Laitano
A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste onde a lei ainda não chegou — ou chegou, mas ninguém deu bola. Como a maioria de nós trabalha, estuda, se informa, escolhe candidato, bate papo, namora e se diverte — ou seja, vive — nesse ambiente em que corporações transnacionais obedecem, ou não, .... leis conforme a própria conveniência, somos todos figurantes involuntários nesse faroeste high-tech.
Para sobreviver no Forte Apache, é preciso aprender a desviar do tiroteio: distorção de fatos, inteligência artificial usada de forma maliciosa, descontextualização, linchamentos virtuais, influencers picaretas, golpes, crimes e armadilhas em geral (como as tais apostas, “bets”, que se transformaram em mania e tragédia nacional). Mas enquanto alguns se encolhem, outros prosperam. Oportunistas de diferentes naturezas, de bilionários a ladrões de galinha, aproveitam o banzé no Oeste para acumular dinheiro, poder e/ou influência .... custas da ignorância alheia, sob o olhar impotente de governos e da sociedade civil.
No meu faroeste favorito, O Homem que Matou o Facínora (1962), até existe um xerife, mas é de faz-de-conta. Sendo assim, o bandido Liberty Valance (Lee Marvin) tem o caminho livre para barbarizar. Ninguém pode com ele. Nem a polícia, nem os políticos, nem a imprensa e nem mesmo o caubói mais valente do lugar, Tom Doniphon (John Wayne). As coisas começam a mudar quando um advogado, Ransom Stoddard (James Stewart), chega .... cidade com a mala carregada de livros e ideias de justiça. Ele não é páreo para um duelo à moda antiga, mas pode ensinar as crianças a ler e os adultos a se unirem em busca do que é o melhor e mais justo para a maioria.
Na mitologia americana, James Stewart é “o sistema”, ou seja, a lei, a democracia, a república. Mas o duelo final, desculpem o spoiler, não é resolvido pelo sujeito sabido da cidade grande, mas entre os dois caubóis: o do bem, John Wayne, e o do mal, Lee Marvin.
Sujeitos como Elon Musk imaginam-se como cavaleiros solitários, bons de briga, que não precisam da lei nem do Estado para resolver as coisas a seu modo. Gostam de se proclamar defensores da liberdade, mas só quando lhes é interessante. Espalham medo e desordem, mas, quando se olham no espelho, veem John Wayne, e não Lee Marvin. .... seu modo, são uma versão atualizada do facínora que tem prazer em barbarizar o vilarejo — protegidos, até segunda ordem, pela ausência de limites e de xerife.
(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2024/09– texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o uso da crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas.
- as – as – a – A
- as – às – a – À
- às – às – à – A
- as – as – à – A
- às – às – à – À
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Crase é a contração da preposição a com o artigo feminino a/as. Formalmente: \(a\) (preposição) + \(as\) (artigo) = \(às\); \(a\) + \(a\) = \(à\).
Lacuna 1: o verbo obedecer rege preposição a e segue o substantivo feminino plural leis, que admite o artigo as; ocorre a contração: às.
Lacuna 2: a expressão é uma locução prepositiva formada por palavra feminina (custas), portanto leva acento: às custas.
Lacuna 3: o verbo chegar rege a e vem seguido de cidade com artigo a, resultando em à cidade.
Lacuna 4: antes de termo masculino (seu modo) não se usa artigo feminino, só a preposição a; escreve‑se A seu modo.
Sequência: às – às – à – A.
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