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Questão FC544916

Caso a expressão “a maioria de” fosse suprimida, quantas outras alterações deveriam ser feitas visando manter a correta concordância no período?

Concordância (Verbal e Nominal)

FUNDATEC · 2025

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste

 

Por Cláudia Laitano

 

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste onde a lei ainda não chegou — ou chegou, mas ninguém deu bola. Como a maioria de nós trabalha, estuda, se informa, escolhe candidato, bate papo, namora e se diverte — ou seja, vive — nesse ambiente em que corporações transnacionais obedecem, ou não, às leis conforme a própria conveniência, somos todos figurantes involuntários nesse faroeste high-tech.

 

Para sobreviver no Forte Apache, é preciso aprender a desviar do tiroteio: distorção de fatos, inteligência artificial usada de forma maliciosa, descontextualização, linchamentos virtuais, influencers picaretas, golpes, crimes e armadilhas em geral (como as tais apostas, “bets”, que se transformaram em mania e tragédia nacional). Mas enquanto alguns se encolhem, outros prosperam. Oportunistas de diferentes naturezas, de bilionários a ladrões de galinha, aproveitam o banzé no Oeste para acumular dinheiro, poder e/ou influência às custas da ignorância alheia, sob o olhar impotente de governos e da sociedade civil.

 

No meu faroeste favorito, O Homem que Matou o Facínora (1962), até existe um xerife, mas é de faz-de-conta. Sendo assim, o bandido Liberty Valance (Lee Marvin) tem o caminho livre para barbarizar. Ninguém pode com ele. Nem a polícia, nem os políticos, nem a imprensa e nem mesmo o caubói mais valente do lugar, Tom Doniphon (John Wayne). As coisas começam a mudar quando um advogado, Ransom Stoddard (James Stewart), chega à cidade com a mala carregada de livros e ideias de justiça. Ele não é páreo para um duelo à moda antiga, mas pode ensinar as crianças a ler e os adultos a se unirem em busca do que é o melhor e mais justo para a maioria.

 

Na mitologia americana, James Stewart é “o sistema”, ou seja, a lei, a democracia, a república. Mas o duelo final, desculpem o spoiler, não é resolvido pelo sujeito sabido da cidade grande, mas entre os dois caubóis: o do bem, John Wayne, e o do mal, Lee Marvin.

 

Sujeitos como Elon Musk imaginam-se como cavaleiros solitários, bons de briga, que não precisam da lei nem do Estado para resolver as coisas a seu modo. Gostam de se proclamar defensores da liberdade, mas só quando lhes é interessante. Espalham medo e desordem, mas, quando se olham no espelho, veem John Wayne, e não Lee Marvin. A seu modo, são uma versão atualizada do facínora que tem prazer em barbarizar o vilarejo — protegidos, até segunda ordem, pela ausência de limites e de xerife.

 

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2024/09– texto adaptado especialmente para esta prova).

 

Caso a expressão “a maioria de” fosse suprimida, quantas outras alterações deveriam ser feitas visando manter a correta concordância no período?

  1. 7.
  2. 8.
  3. 9.
  4. 10.
  5. 11.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

D

Comentário do professor

A resposta correta é a alternativa D, porque, ao suprimir "a maioria de", o sujeito passa a ser apenas nós, exigindo a flexão verbal na 1ª pessoa do plural e a troca dos pronomes reflexivos.

No trecho original aparecem dez vocábulos que concordam com "a maioria de" e, portanto, devem ser alterados para concordar com nós. Cada substituição conta como uma alteração independente.

Lista das alterações, na ordem: trabalha → trabalhamos
estuda → estudamos
se → nos
informa → informamos
escolhe → escolhemos
bate → batemos
namora → namoramos
se → nos
diverte → divertimos
vive → vivemos

Logo, são necessárias exatamente 10 alterações para manter a concordância do período.

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