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Questão FC544958

E esse milhinho assado? Tem sem ser transgênico?

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

FURB · 2025

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

E esse milhinho assado? Tem sem ser transgênico?

 

Entre riscos à saúde e à biodiversidade, pequenos agricultores resistem ao domínio do milho modificado com o cultivo de sementes crioulas e práticas agroecológicas.

 

Dente de Burro, Sabugo Fino, Sol da Manhã, Batité, Landrês, Cateto, Cateto Kiriri, Eldorado, Branco de Angola, Catingueiro, Branco do Egito, Pontinha, Jaboatão e Roxo Peruano. Você já ouviu esses nomes antes? São alguns nomes de milhos orgânicos, de diferentes cores, preservados e produzidos por organizações brasileiras hoje.

 

Cada um deles é fruto de um processo que envolve agroecologia, mudança de manejo, agricultura familiar e resistência produtiva. Uma pesquisa identificou, aliás, 29 tipos diferentes de milho cultivados no Brasil e no Uruguai, todos cultivados justamente por pequenos agricultores.

 

A pergunta que fica é: porque estamos comendo apenas milho amarelo e transgênico ao invés de diversos outros tipos de milhos — roxo, vermelho, branco, preto, azul e rajado —, e agroecológicos? Antes de mais nada é importante entender como e porque o milho amarelo se tornou o queridinho. As justificativas são muitas: é cultivado em abundância desde o período da escravatura nos Estados Unidos, tem alto teor de amido, serve também como alimento para animais, fabricação de xarope, combustível, óleo etc. É ainda fácil de manipular geneticamente, o que muitos adjetivam como melhorias: essas são algumas das justificativas encontradas neste artigo da Embrapa, para o sucesso do milho amarelo. Mas a maior delas é a produtividade. É pela produtividade que deixamos para trás milénios de evolução, sabores diferentes, distintas regiões de plantio e épocas do ano para colheita.

 

A boa notícia é: tem gente fazendo diferente.

 

Do outro lado dessa moeda estão, por exemplo, as sementes agroecológicas produzidas pelo Movimento Camponês Popular (MCP) no Brasil, em especial em Pernambuco e Sergipe e da CoopBorborema, na Paraíba. As duas organizações têm como foco espalhar as sementes e o manejo agroecológico para pequenos produtores dos estados. "Que os camponeses tenham capacidade para produzir alimento para alimentar a nação", diz Sandreildo Santos, dirigente do MCP Pernambuco.

 

(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/06/e-esse-milhinho-assado-tem-sem-s er-transgenico/. Acesso em 22 jul. 2025. Adaptado.)

 

Analise as assertivas que seguem:

 

( )Em "Você já viu esses nomes?", o uso do pronome demonstrativo está equivocado, uma vez que se refere a algo já mencionado no texto (relação anafórica), no caso, os nomes dos milhos. O adequado seria "estes".

 

( )Em "Cada um deles", a expressão faz referência aos tantos tipos de milho orgânicos e diferentes produzidos no Brasil hoje.

 

( )Em "Do outro lado dessa moeda", a expressão estabelece uma relação de oposição na produção de milho em que, de um lado tem-se subentendido o agronegócio, que cultiva praticamente apenas o milho amarelo, o queridinho, e do outro a agricultura familiar, que preserva e produz milhos diversos e de diferentes cores.

 

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

  1. F − F − V.
  2. F − V − V.
  3. V − F − F.
  4. V − F − V.
  5. V − V − F.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Gabarito: sequência F − V − V.

Falsa. Em "Você já ouviu esses nomes antes?" o pronome esses não está equivocado. Embora estes costume marcar maior proximidade, esses pode retomar imediatamente a enumeração anterior e funciona como referência anafórica ao conjunto de nomes citados no período anterior.

Verdadeira. A expressão "Cada um deles" retoma, de modo claro e concordante, os vários tipos de milho mencionados antes, estabelecendo referência anafórica individualizadora aos itens do conjunto.

Verdadeira. A locução "Do outro lado dessa moeda" indica relação de contraste. No contexto, contrapõe implicitamente a produção dominante (milho amarelo comercial) e a prática da agricultura familiar que preserva diversidade de sementes.

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