Questão FC54499
A Nova Praga Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado
Regência
FGV · 2013
Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado da Língua Portuguesa – para saber que o étimo de nosso substantivo areia é o latim "arena". E, se qualquer pessoa sabe disso até por um instinto primário, é curioso, para usar um termo educado, como nossos locutores e comentaristas de futebol, debruçados sobre um gramado verde‐verdinho, chamam‐no de "arena", numa impropriedade gritante.
Nero dava boas gargalhadas, num comportamento que já trazia latente a sua loucura final, quando via os cristãos lutando contra os leões na arena. Nesse caso, se havia rictus de loucura na face do imperador, pelo menos o termo era totalmente apropriado: o chão da luta dramática entre homem e fera era de areia. Está aí para prová‐lo até hoje o Coliseu.
(....) Mas – ora bolas! –, se o chão é de relva verdejante, é rigorosamente impróprio chamar de “arena” nossos campos de futebol, como fazem hoje. O diabo é que erros infelizmente costumam se espalhar como uma peste, e nem será exagero dizer que, neste caso, o equívoco vem sendo tão contagioso como a peste negra que, em números redondos, matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Índia no século XIV. E os nossos pobres ouvidos têm sido obrigados a aturar os nossos profissionais que transmitem espetáculos esportivos se referirem à arena daqui, à arena de lá, à arena não sei de onde. Assim, já são dezenas de arenas por esse Brasilzão. O velho linguista e filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909‐1985), a cujo livro mais conhecido peço emprestado o título deste pequeno artigo, deve estar se revirando no túmulo diante da violência de tal impropriedade. O bom Alves era cego, ou quase isso, mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma.
Nas frases a seguir foram sublinhadas preposições.
Assinale a alternativa que indica a preposição que não foi solicitada pela regência de nenhum termo anterior.
- “Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim”.
- “...no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina”.
- “...é rigorosamente impróprio chamar de “arena” nossos campos”.
- “E nossos pobres ouvidos têm sido obrigados a aturar...”.
- “...se referirem à arena daqui...”.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa correta aponta a preposição em em “no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina”.
Por regência entende-se quando um termo (verbo, nome, adjetivo) exige uma preposição para completar seu sentido. Nesta construção a preposição em introduz uma oração subordinada adverbial de tempo, que se relaciona semanticamente à forma verbal existia.
O ponto decisivo é que a preposição aparece antes da palavra a que subordina (existia), portanto não foi solicitada por nenhum termo anterior da oração, ou seja, não decorre de regência exigida por palavra que venha antes.
Por essa razão, a preposição em é a que não foi solicitada pela regência de nenhum termo anterior, justificando a escolha da alternativa.
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