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Questão FC545080

Nos últimos anos, os arqueólogos que trabalham na Serra da Capivara, no Piauí (um dos complexos pré-históricos mais importantes do Brasil, famoso pelas belas pinturas nas rochas),

Interpretação de Textos (Compreensão)

VUNESP · 2025

Leia o texto a seguir para responder à questão.

 

A cultura dos macacos-pregos

 

Nos últimos anos, os arqueólogos que trabalham na Serra da Capivara, no Piauí (um dos complexos pré-históricos mais importantes do Brasil, famoso pelas belas pinturas nas rochas), passaram a enfrentar uma nova dor de cabeça. Tanto lá quanto em outros lugares do País e do mundo, lascas de pedra simples, que sobravam do processo de fabricação de ferramentas, costumam ser um bom indício da presença de antigos seres humanos. O problema é que outra espécie de inteligência sofisticada também anda produzindo lasquinhas muito parecidas há milênios na região. Como saber quem fez o quê?

 

O culpado por embolar o meio de campo arqueológico se chama Sapajus libidinosus: é o macaco-prego-amarelo. Os dados indicam que esses primatas andam produzindo lascas de pedra há pelo menos 3 mil anos, e é possível que isso esteja acontecendo há mais tempo ainda. Num trabalho de pesquisa constante, que vem ganhando força nos últimos vinte anos, cientistas do Brasil e de outros países estão documentando a grande versatilidade tecnológica e comportamental dos macacos-pregos.

 

Esses primatas usam diversos recursos da natureza – por exemplo, pedras, raízes e galhinhos – como ferramentas para explorar seu ambiente, descolar comida mais nutritiva e até paquerar, e acabam assim produzindo lascas de pedra de forma não intencional. Tudo indica que essas capacidades são transmitidas culturalmente de geração em geração, podem se transformar ao longo do tempo e variam dependendo das populações de cada espécie. Isso significa que, à sua maneira, esses bichos têm se mostrado exemplos valiosos para a compreensão de como a inteligência e a cultura evoluem.

 

(Reinaldo José Lopes, “A cultura dos macacos-pregos”, Revista Superinteressante. Adaptado)

 

De acordo com o texto, os arqueólogos

  1. pensavam que os únicos seres racionais eram os humanos e, por esse motivo, não valorizavam a cultura de outros primatas.
  2. consideravam a presença de lascas de pedra num local para determinar que humanos viveram ali, até descobrirem as habilidades dos macacos-pregos.
  3. desconheciam a espécie dos macacos-pregos, que passaram agora a ser o foco da maioria dos estudos arqueológicos.
  4. acreditavam que os macacos-pregos eram capazes de produzir lascas de pedras, mas descobriram que estas são produzidas apenas pelos humanos.
  5. imaginavam que as lascas de pedras eram de uma época muito antiga, mas descobriram que elas começaram a ser produzidas recentemente.
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Gabarito

B

Comentário do professor

O texto afirma que os arqueólogos usavam as lascas de pedra como indicador de que humanos haviam ocupado um local. Essa prática baseava-se na premissa de que tais lascas eram subprodutos típicos da fabricação de ferramentas por seres humanos.

Ao descobrir que Sapajus libidinosus, o macaco-prego, também produz lasquinhas semelhantes, os pesquisadores perceberam que esse critério não é exclusivo de humanos. As lascas podem ser geradas de forma não intencional pelos primatas durante o uso de pedras como ferramentas.

Por isso, arqueólogos tiveram de reavaliar a interpretação de sítios: passou a ser necessário usar evidências contextuais e complementares, como padrão de distribuição, associação com outros artefatos e datações, para confirmar a presença humana.

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