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Questão FC545087

Leia o texto a seguir: Brics aumentam produção científica em 10 vezes entre 2000 e 2024† O número de artigos publicados por pesquisadores de países do BRICS nas principais revistas

Interpretação de Textos (Compreensão)

SELECON · 2025

Leia o texto a seguir:

Brics aumentam produção científica em 10 vezes entre 2000 e 2024†

 

O número de artigos publicados por pesquisadores de países do BRICS nas principais revistas científicas do mundo aumentou mais de 10 vezes entre 2000 e 2024. Apesar de também ter apresentado um crescimento expressivo nesse período, em 2024, o Brasil respondeu por menos de 100 mil dos mais de 2 milhões de artigos publicados por cientistas do grupo.

 

Os dados foram compilados pelo pesquisador Odir Dellagostin, professor da Universidade Federal de Pelotas, a partir da Scopus, a maior base de dados de resumos e citações de literatura revisada por pares do mundo.

 

"O Brasil apresentou um crescimento bastante acelerado e contínuo até 2021. E esse crescimento foi, basicamente, paralelo ao crescimento da pós-graduação. Enquanto a pós-graduação estava crescendo, a produção científica também evoluía", explica o professor.

 

Da mesma forma, a produção caiu em 2022 e 2023, anos em que a quantidade de pesquisadores acadêmicos do Brasil também apresentou uma retração.

 

Em 2024, houve uma ligeira melhora: os pesquisadores brasileiros publicaram cerca de 4 mil artigos a mais, e o país titulou um número adicional de quase 600 mestres ou doutores. Ainda assim, Dellagostin teme que o Brasil esteja "perdendo o bonde" do crescimento científico do BRICS:

 

"De 2021 a 2024, o mundo, em média, cresceu 8,3% na produção científica. Já os países do BRICS, por exemplo, os Emirados Árabes, tiveram crescimento de mais de 60%. A Índia cresceu 41%, a China cresceu 20%, a Malásia [que não é do BRICS] cresceu 17%, e assim por diante. E o que aconteceu com o Brasil? O Brasil caiu 10,1%. A maioria dos países teve uma disparada na produção científica nos últimos 10 anos. Ou seja, eles partiram de uma base muito pequena, mas agora estão em um passo muito acelerado. E o Brasil vem fortalecendo essa base de forma contínua, mas num ritmo muito lento".

 

O professor da UFPel e membro da Academia Brasileira de Ciências acredita que a falta de financiamento é um fator importante para essa desaceleração, mas não o principal.

 

"A forma como enfrentamos a pandemia, fechando laboratórios, foi um fator que contribuiu muito, mas também há uma desmotivação dos pesquisadores, até pelo discurso anticiência de alguns dos nossos governantes e pela desvalorização da ciência perante parte da sociedade", ressalta Dellagostin.

 

Além disso, ele enfatiza que quase toda pesquisa no Brasil está atrelada ao estudo ou à docência na pós-graduação, o que oferece poucas alternativas de emprego para quem quer investir em uma carreira científica:

 

"A absorção dos doutores tem sido baixa nos últimos anos. Isso também contribui para a queda na produção e impacta a motivação. Esse é um ponto muito importante que nós teremos que discutir: implementar a carreira de pesquisador. Acho que isso é fundamental para o Brasil mudar essa situação".

 

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2025/06/brics-aumentam-producao-cientifica-em-10-vezes-entre-2000-e-2024.shtml. Acesso em 12/07/2025.

 

O texto sugere que, apesar do aumento do crescimento expressivo do Brasil até 2011, o país perdeu o “bonde” do crescimento científico entre os Brics. O argumento central que justifica essa afirmação está apoiado no fato de que:

  1. o Brasil foi o que mais cresceu em produção científica entre 2000 e 2024
  2. a China foi a nação que apresentou o maior crescimento científico comparado aos demais países do Brics
  3. a China e a Índia superaram todos os países do mundo em número de artigos científicos publicados
  4. o ritmo de crescimento brasileiro foi inferior ao dos demais países do bloco, que conseguiram realizar sua produção, enquanto o Brasil apresentou retração no período recente
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Gabarito

D

Comentário do professor

Alternativa D indica que o Brasil ficou para trás porque seu ritmo de crescimento foi bem inferior ao dos demais membros do bloco, ao passo que muitos cresceram de forma acelerada e contínua.

O texto sustenta isso com dados: entre 2021 e 2024 o mundo cresceu em média 8,3% na produção científica, países do BRICS tiveram saltos expressivos (por exemplo, Emirados +60%, Índia +41%, China +20%) enquanto o Brasil apresentou retração de 10,1% no mesmo período. Em 2024 o país respondeu por menos de 100 mil artigos de mais de 2 milhões do grupo.

Portanto, a expressão "perder o bonde" refere‑se à diferença de velocidade: outros avançaram rapidamente, e o Brasil registrou queda recente, o que explica a afirmação.

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