Questão FC545122
Celular na escola: faz sentido proibir?
Tipologia e Gênero Textual
CPCON UEPB · 2025
Utilize o Texto 04 para responder à questão abaixo.
Texto 04
Celular na escola: faz sentido proibir?
Por Maria Clara Rossini
Atualizado em 23 fev. 2025, 14h22 - Publicado em 21 fev. 2025, 10h00
É consenso que a pandemia contribuiu para a consolidação dos smartphones nas escolas. Embora os celulares sejam oficialmente proibidos em muitas delas, isso raramente ocorre na prática. A lei número 15.100, sancionada no início deste ano, é uma tentativa de voltar à época em que a regra era cumprida com mais afinco: ela restringe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis durante as aulas e o recreio. Eles só são autorizados para fins pedagógicos, de acessibilidade ou saúde.
Não precisa ser nenhum Piaget para concluir que os celulares podem atrapalhar o rendimento escolar de crianças e adolescentes. Mas não é só isso: educadores e neurocientistas estão preocupados com o desenvolvimento cognitivo e a saúde mental da geração que cresceu com os smartphones. “Essas habilidades cognitivas amadurecem em torno dos 24 e 25 anos”, diz Sabine Pompeia, Professora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O jovem é muito mais propenso a ficar dependente desse tipo de situação e não conseguir se desvencilhar do que um adulto”.
Os aplicativos e redes sociais foram de fato construídos com a ciência dos caça-níqueis em mente. Documentos vazados em 2021 mostram que o Facebook tinha consciência do caráter viciante da rede e utilizou essas técnicas para engajar os usuários. Fica difícil desenvolver o autocontrole, porém, quando a “substância” em questão apita no bolso, gerando pequenas descargas de dopamina ao longo do dia.
O quanto exatamente o uso de smartphones está prejudicando essas habilidades básicas? É difícil responder. Para bater o martelo, seria necessário acompanhar o desenvolvimento de várias crianças distribuídas aleatoriamente em dois grupos: com ou sem acesso a smartphones. Esse seria um experimento científico padrão-ouro. Mas é virtualmente impossível realizar um experimento nesses moldes.
A solução então seria proibir o uso de smartphones por crianças e adolescentes? Qualquer pai sabe que essa tarefa beira o impossível. “Uma das coisas mais difíceis de aprender é a socialização, entender os limites das pessoas e como lidar com o outro”, diz Pompeia. “Essa geração tem que aprender a socializar em dois ambientes diferentes, porque as regras sociais em pessoa são diferentes das regras sociais nas redes”.
A escola, naturalmente, não é o espaço ideal para o celular. A lei que passa a valer em 2025 pode ser o caminho de uma mudança coletiva, mas a implementação e a fiscalização da regra devem variar de acordo com o colégio. O impacto que isso terá no aprendizado, no desenvolvimento e na socialização são cenas dos próximos capítulos.
Fonte: ROSSINI, Maria Clara. Celular na escola: faz sentido proibir? Revista Superinteressante [on-line], 23 fev. 2025. Acesso em 1 abr. 2025. [Adaptado].
Sobre o texto, assinale a alternativa CORRETA.
- O texto é marcado por duplo sentido.
- A função da linguagem predominante no texto é a emotiva.
- No texto, há apenas uma função da linguagem em funcionamento: a conativa.
- Como se trata de uma reportagem, a linguagem conotativa é predominante.
- A presença de um argumento de autoridade, a fala da professora Sabine Pompeia, é uma marca característica do gênero reportagem.
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Comentário do professor
Argumento de autoridade é quando um texto recorre à opinião de alguém reconhecido na área para sustentar uma ideia. No texto, a fala da professora Sabine Pompeia funciona exatamente assim: traz respaldo científico e legitimidade à preocupação sobre efeitos dos smartphones no desenvolvimento.
Uma reportagem costuma reunir fontes, depoimentos e especialistas para construir credibilidade e contextualizar os fatos. A presença desse testemunho caracteriza o gênero, porque integra voz experiente ao relato jornalístico, mostrando que a matéria não é só opinião do autor.
Além de reforçar a tese central, o depoimento contribui para o equilíbrio informativo da peça: apresenta conhecimento especializado que ajuda o leitor a compreender a complexidade do tema e a avaliar os argumentos apresentados.
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