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Questão FC545129

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste Por Cláudia Laitano A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste onde a lei a

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FUNDATEC · 2025

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste

 

Por Cláudia Laitano

 

A internet está cada vez mais parecida com aquelas cidades do Velho Oeste onde a lei ainda não chegou — ou chegou, mas ninguém deu bola. Como a maioria de nós trabalha, estuda, se informa, escolhe candidato, bate papo, namora e se diverte — ou seja, vive — nesse ambiente em que corporações transnacionais obedecem, ou não, às leis conforme a própria conveniência, somos todos figurantes involuntários nesse faroeste high-tech.

 

Para sobreviver no Forte Apache, é preciso aprender a desviar do tiroteio: distorção de fatos, inteligência artificial usada de forma maliciosa, descontextualização, linchamentos virtuais, influencers picaretas, golpes, crimes e armadilhas em geral (como as tais apostas, “bets”, que se transformaram em mania e tragédia nacional). Mas enquanto alguns se encolhem, outros prosperam. Oportunistas de diferentes naturezas, de bilionários a ladrões de galinha, aproveitam o banzé no Oeste para acumular dinheiro, poder e/ou influência às custas da ignorância alheia, sob o olhar impotente de governos e da sociedade civil.

 

No meu faroeste favorito, O Homem que Matou o Facínora (1962), até existe um xerife, mas é de faz-de-conta. Sendo assim, o bandido Liberty Valance (Lee Marvin) tem o caminho livre para barbarizar. Ninguém pode com ele. Nem a polícia, nem os políticos, nem a imprensa e nem mesmo o caubói mais valente do lugar, Tom Doniphon (John Wayne). As coisas começam a mudar quando um advogado, Ransom Stoddard (James Stewart), chega à cidade com a mala carregada de livros e ideias de justiça. Ele não é páreo para um duelo à moda antiga, mas pode ensinar as crianças a ler e os adultos a se unirem em busca do que é o melhor e mais justo para a maioria.

 

Na mitologia americana, James Stewart é “o sistema”, ou seja, a lei, a democracia, a república. Mas o duelo final, desculpem o spoiler, não é resolvido pelo sujeito sabido da cidade grande, mas entre os dois caubóis: o do bem, John Wayne, e o do mal, Lee Marvin.

 

Sujeitos como Elon Musk imaginam-se como cavaleiros solitários, bons de briga, que não precisam da lei nem do Estado para resolver as coisas a seu modo. Gostam de se proclamar defensores da liberdade, mas só quando lhes é interessante. Espalham medo e desordem, mas, quando se olham no espelho, veem John Wayne, e não Lee Marvin. A seu modo, são uma versão atualizada do facínora que tem prazer em barbarizar o vilarejo — protegidos, até segunda ordem, pela ausência de limites e de xerife.

 

(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2024/09– texto adaptado especialmente para esta prova).

 

No destaque em vermelho, o vocábulo “que” poderia ser substituído, correta e adequadamente, por:

  1. o qual
  2. no qual
  3. nos quais
  4. os quais
  5. dos quais
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Gabarito

D

Comentário do professor

A substituição por os quais é correta porque se trata de um pronome relativo que concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere e introduz a oração adjetiva.

O referente é cavaleiros solitários, termo masculino e plural; portanto o pronome deve aparecer flexionado para o plural e masculino: os quais. Nesse uso, o pronome exerce a função de sujeito da oração subordinada: Sujeitos como Elon Musk imaginam-se como cavaleiros solitários, os quais não precisam da lei nem do Estado para resolver as coisas a seu modo.

Além de garantir concordância, os quais evita ambiguidade e confere maior formalidade ao texto. Não há preposição porque o verbo da subordinada não exige complemento preposicionado.

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