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Questão FC545355

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. [...] seu impactante romance Torto arado (2018) conquistou em Portugal o prestigioso Prêmio LeYa, concedido por unanimida

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FURB · 2025

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

[...] seu impactante romance Torto arado (2018) conquistou em Portugal o prestigioso Prêmio LeYa, concedido por unanimidade pelo modo como representa de forma sólida e realista o universo rural brasileiro. O enredo enfatiza trabalhadores sem-terra remanescentes do regime escravista, em especial as personagens femininas duplamente vítimas da violência que impera nos grotões mais afastados, realidade representada por meio de uma sensível e sofisticada escrita, como bem notaram os jurados do concurso em sua nota de justificativa:

 

"O Prémio LeYa 2018 é atribuído ao romance 'Torto Arado', de Itamar Vieira Junior, pela solidez da construção, o equilíbrio da narrativa e a forma como aborda o universo rural do Brasil, colocando ênfase nas figuras femininas, na sua liberdade e na violência exercida sobre o corpo num contexto dominado pela sociedade patriarcal. Sendo um romance que parte de uma realidade concreta, em que situações de opressão quer social quer do homem em relação à mulher, a narrativa encontra um plano alegórico, sem entrar num estilo barroco, que ganha contornos universais. Destaca-se a qualidade literária de uma escrita em que se reconhece plenamente o escritor. Todos estes motivos justificam a atribuição por unanimidade deste prémio."

 

Situando a história em uma região remota e imaginária do nordeste brasileiro, Itamar Vieira Junior abrange problemáticas que envolvem proporções maiores ligadas tanto ao modo de funcionamento histórico e social do país quanto à complexa e intrincada rede de sentimentos e emoções intrínsecas ao ser humano. Em concomitância, temos um romance que fornece elementos para debate sobre as desigualdades e violências entre cidade e campo, as desigualdades de gênero, as formas de resistência das religiões de matriz africana e indígena, as permanências e continuidades da escravidão simbolizadas na relação de mando inviolável entre patrão/dono e trabalhador/agregado, assim como do tríplice espólio sobre o trabalhador: sua mão de obra, seu produto final e seu tempo. Somada a esses fatores há também na narrativa uma implícita, mas potente reflexão sobre os sentidos da posse de terra e de uma necessária reforma agrária no território nacional. Ao mesmo tempo, portanto, em que há um "Brasil profundo" sendo problematizado, somos convidados a sentir de maneira pungente o caótico estado emocional de personagens que, mesmo vivendo sobre constante tensão, manifestam complexos e contraditórios estados emocionais.

 

(Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/1270-itamar-vieira-junior. Acesso em 23 jul. 2025. Adaptado.)

 

Em "Sendo um romance que parte de uma realidade concreta, em que situações de opressão quer social quer do homem em relação à mulher, a narrativa encontra um plano alegórico, sem entrar num estilo barroco, que ganha contornos universais", as palavras em destaque são, no contexto:

  1. Conjunções alternativas e têm como função articular ideias que se alternam.
  2. Verbo "querer" sendo usado como conjunção para articular termos do texto, sendo que a segunda ocorrência poderia ser substituída pela conjunção aditiva "e", sem prejuízo ao sentido do texto.
  3. Verbo "querer", repetido para enfatizar a ideia expressa por "situações de opressão".
  4. Pronomes relativos, cuja função é relacionar duas ou mais ideias sinônimas.
  5. Conjunções aditivas e têm como função articular ideias que se complementam.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Quer... quer são conjunções coordenativas alternativas que articulam duas estruturas equivalentes apresentando opções ou fontes distintas de um mesmo fato.

No trecho, a construção quer social quer do homem em relação à mulher conecta dois núcleos substantivos — opressão social e opressão do homem — mantendo a mesma função sintática e destacando as diferentes origens da opressão.

Funcionalmente, esse tipo de conjunção relaciona elementos de forma correlativa: não introduz oração subordinada, mas coordena termos ou orações, indicando alternância ou concomitância de sentidos. Exemplo paralelo: quer chova, quer faça sol, onde se apresentam possibilidades equivalentes.

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