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Questão FC545390

Leia o texto a seguir para responder à questão. Os sonhos brasileiros Quando eu era menina, as famílias ricas costumavam escolher um ano de maior prosperidade e programavam a sua v

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AVANÇASP · 2025

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Os sonhos brasileiros

 

Quando eu era menina, as famílias ricas costumavam escolher um ano de maior prosperidade e programavam a sua viagem à Europa. Iam marido, mulher, filharada, ama-seca, e avô em exercício, às vezes um tio mais jovem. Os invejosos — todo mundo — zombavam: será que tinham fretado o navio? Navio aliás invisível, pois que tomado no Rio (talvez também no Recife) onde havia porto para grandes transatlânticos. O período dedicado ao banho de civilização era em geral de seis meses. E o país de destino era, quase invariavelmente, Paris ou Portugal. Falo Paris como país, porque ninguém dizia que ia para a França. Mas somente a Cidade Luz. Portugal era escolhido pelos lusitanos bem-sucedidos. [...]

 

Em Paris, os provisórios nômades se instalavam quase invariavelmente no Grand Hotel Du Louvre. (Ou diziam os língua-ruim, se instalavam mesmo era numa pensão barata na Banlieuse, onde nem tinha metrô). Para nós, brasileiros daquele tempo, metrô era o requinte, o selo da mais extrema civilização.

 

Passados os seis meses de ricos, a família regressava, unida como saíra, e portando em profusão malas de porão e camarote novíssimas. Invariavelmente traziam um serviço de jantar em porcelana e até um serviço de cristal Baccarat, comprado na rue du Paradis. [...] E, depois daquela viagem oficial, a família passava o resto da vida curtindo as glórias da temporada. As moçoilas que já tinham aprendido o ABC do francês cá na terra, no colégio de freiras, voltavam cochichando segredinhos no idioma dos eleitos. Às vezes nascia por lá uma criança que, em memória do evento, fora registrada no Consulado Brasileiro, mas com nome francês.

 

[...]

 

Passaram-se os anos, o mundo mudou. Os Estados Unidos assumiram a liderança da moderna civilização. Acabaram-se, depois da Segunda Grande Guerra, os navios que faziam a linha Rio-Havre. Entramos na era dos jatos. E hoje também mudou o eixo turístico: de repente brasileiro descobria Miami ou Miami descobriu os brasileiros. Será o conforto da língua? Os iniciantes, pelo menos, acreditam que lá só se fala espanhol. E depois tem o Walt Disney e seus palácios feéricos. E principalmente tem as excursões — dizem os entendidos que é mais barato passar 15 dias em Miami do que em Maceió. É possível, nós ainda não organizamos o nosso turismo. Sinal de jovem pai com sucesso na profissão é levar os filhos pequenos para o Disneyworld. As mulheres fazem compras com frenesi. Os homens também se enchem de maquininhas — fax, telefone celular, micros!

 

E ficamos nós, os invejosos, com o olho comprido em Miami, como outrora em Paris. Se não fosse o preço escandaloso do dólar! Mas é verdade que os pacotes turísticos são bem em conta. E tem até quem faça a módicas prestações! Ai (suspiro), a esperança é a última que morre…

QUEIROZ, R. Os sonhos brasileiros. Jornal O Dia,

Rio de Janeiro, 1992. Disponível em <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/17950/os sonhos-brasileiros>.

 

O termo “Cidade Luz”, em “Falo Paris como país, porque ninguém dizia que ia para a França. Mas somente a Cidade Luz”, é um exemplo de:

  1. pleonasmo.
  2. comparação.
  3. perífrase.
  4. hipérbole.
  5. anacoluto.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Perífrase é uma figura de linguagem que substitui um termo por uma expressão descritiva ou apelativa que o caracteriza. Em vez de nomear diretamente, usa-se uma locução que evoca um traço marcante ou simbólico.

No trecho “Falo Paris como país, porque ninguém dizia que ia para a França. Mas somente a Cidade Luz”, “Cidade Luz” funciona como perífrase de Paris. O autor não diz o nome do país; usa uma expressão consagrada que remete à imagem de Paris como centro de cultura, arte e iluminação intelectual.

Assim, a perífrase aporta carga conotativa e estilística, permitindo identificar o referente por uma qualidade destacada, o que explica por que a expressão é classificada como perífrase.

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