Questão FC545474
O texto seguinte servirá de base para responder a questão abaixo. Índio eu não sou Não me chame de "índio" porque Esse nome nunca me pertenceu Nem como apelido quero levar Um erro
Sem classificação
FAFIPA · 2025
O texto seguinte servirá de base para responder a questão abaixo.
Índio eu não sou
Não me chame de "índio" porque Esse nome nunca me pertenceu Nem como apelido quero levar Um erro que Colombo cometeu.
Por um erro de rota Colombo em meu solo desembarcou E no desejo de às Índias chegar Com o nome de "índio" me apelidou.
Esse nome me traz muita dor Uma bala em meu peito transpassou Meu grito na mata ecoou Meu sangue na terra jorrou.
Chegou tarde, eu já estava aqui Caravela aportou bem ali Eu vi "homem branco" subir Na minha Uka me escondi.
Ele veio sem permissão Com a cruz e a espada na mão Nos seus olhos, uma missão Dizimar para a civilização.
"Índio" eu não sou. Sou Kambeba, sou Tembé Sou kokama, sou Sataré Sou Guarani, sou Arawaté Sou tikuna, sou Suruí Sou Tupinambá, sou Pataxó Sou Terena, sou Tukano Resisto com raça e fé.
O poema "Índio eu não sou" apresenta um eu lírico que contesta uma designação imposta por outrem. Considerando o sentido global do texto, é CORRETO afirmar que a intenção comunicativa principal deste texto literário é:
- relatar um acontecimento histórico com neutralidade.
- fazer humor com a confusão geográfica de Colombo.
- narrar a chegada de Colombo sob a ótica dos europeus.
- expressar indignação diante de um equívoco histórico e reafirmar a identidade indígena.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa correta indica que o poema tem, como intenção principal, expressar indignação frente a um equívoco histórico e, ao mesmo tempo, reafirmar a identidade indígena.
O eu lírico nega o rótulo imposto: "Índio eu não sou", e associa esse nome ao erro de Colombo e à violência: "Uma bala em meu peito transpassou", "Meu sangue na terra jorrou". Essas imagens denunciam a dor e a injustiça sofrida.
Ao enumerar etnias — Kambeba, Tembé, Kokama, Guarani etc. — o poema recupera especificidade cultural e rejeita a generalização. A sequência de nomes funciona como afirmação de identidade.
O verso final "Resisto com raça e fé" sintetiza o gesto comunicativo: não apenas reclamar, mas afirmar existência e resistência. Assim, o poema denuncia e reafirma.
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