Questão FC545475
O texto seguinte servirá de base para responder a questão abaixo. Índio eu não sou Não me chame de "índio" porque Esse nome nunca me pertenceu Nem como apelido quero levar Um erro
Sem classificação
FAFIPA · 2025
O texto seguinte servirá de base para responder a questão abaixo.
Índio eu não sou
Não me chame de "índio" porque Esse nome nunca me pertenceu Nem como apelido quero levar Um erro que Colombo cometeu.
Por um erro de rota Colombo em meu solo desembarcou E no desejo de às Índias chegar Com o nome de "índio" me apelidou.
Esse nome me traz muita dor Uma bala em meu peito transpassou Meu grito na mata ecoou Meu sangue na terra jorrou.
Chegou tarde, eu já estava aqui Caravela aportou bem ali Eu vi "homem branco" subir Na minha Uka me escondi.
Ele veio sem permissão Com a cruz e a espada na mão Nos seus olhos, uma missão Dizimar para a civilização.
"Índio" eu não sou. Sou Kambeba, sou Tembé Sou kokama, sou Sataré Sou Guarani, sou Arawaté Sou tikuna, sou Suruí Sou Tupinambá, sou Pataxó Sou Terena, sou Tukano Resisto com raça e fé.
A expressão "Índio eu não sou" é repetida de maneira explícita e implícita ao longo do poema. Do ponto de vista discursivo, essa repetição cumpre a função de:
- destacar somente o erro linguístico cometido por Colombo que, por sua vez, não gerou consequências de ordem cultural, ideológica e histórica.
- sugerir dúvida sobre o pertencimento étnico do sujeito, já que ele não se identifica como índio, logo, não sabe quem é.
- reafirmar uma negação identitária e propor preexistência simbólica, por meio da marcação de diferentes povos indígenas.
- reforçar a musicalidade do texto, sem carga semântica relevante para a construção da temática do poema.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
"Índio eu não sou" funciona como uma repetição que exerce uma negação identitária dirigida ao rótulo imposto pelo colonizador.
Essa negação não é apenas recusa, é reivindicação: o verso corta a nomeação estranha e afirma um posicionamento crítico.
A repetição explícita do verso cria ênfase e ritmo, tornando a recusa coletiva e sonora.
Ao mesmo tempo, a repetição aparece implicitamente na enumeração de povos indígenas, que retoma nomes próprios.
Ao listar Kambeba, Tembé, Guarani etc., o poema marca uma preexistência simbólica: mostra que essas identidades existiam antes da chegada europeia e resistem ao apagamento.
Assim, a repetição reafirma a negação do rótulo e, simultaneamente, propõe a afirmação histórica e plural dessas nações.
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