Questão FC545616
Sabor que foge da xícara: por que temperatura média traz o melhor do café Tem gente que diz que felicidade é uma xícara de café quente. Pode até ser. Mas a verdade é que essa felic
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FAU UNICENTRO · 2025
Sabor que foge da xícara: por que temperatura média traz o melhor do café
Tem gente que diz que felicidade é uma xícara de café quente. Pode até ser. Mas a verdade é que essa felicidade tem prazo de validade. E não é longo. Basta dar uma distraída, responder um e-mail, ou se perder num papo, e pronto: o café já esfriou — e com ele, boa parte do encanto.
É que o café, meus amigos, é um pouco como o amor no verão: intenso, cheio de aroma e calor, mas fugaz. Não dá para segurar por muito tempo. Ele nasce vibrante, perfumado, cheio de promessas e vai embora pela borda da xícara enquanto a gente pensa na vida.
A ciência, que tudo explica, mas nem sempre entende, mostra que à medida que a temperatura do café cai, os tais compostos voláteis, que são como os perfumes que sentimos ao passar por alguém interessante, simplesmente evaporam. Vão embora como o cheiro de um bom domingo, e levam junto a alma da bebida.
E tem mais: nosso paladar também é meio temperamental. Quando o café está "pelando", sentimos pouco. Quando esfria demais, também. Mas naquele meio do caminho, ali pelos 40 e poucos graus, é onde mora a magia. É quando o café se mostra como é de verdade, com suas notas de frutas, flores, chocolates, caramelos... Ou aquele amargor triste de um grão mal tratado.
Fiz o teste. Café coado com carinho, tomado aos poucos, marcando no relógio. Nos primeiros goles, quente demais. Depois de uns 10, 15 minutos... Ah, aí sim. O sabor aparece, elegante, equilibrado. Uns toques de acidez, doçura no fundo.
Trinta minutos depois, ele começa a se despedir. Ainda está ali, mas já não brilha como antes. Com uma hora... Bom, aí já virou outra coisa. Frio, opaco, um pouco melancólico. Como uma festa que durou demais. Ah, e nem pense em colocar no micro-ondas. Aquilo ali é como tentar reviver um amor antigo com uma mensagem no WhatsApp às duas da manhã: pode até esquentar, mas nunca mais vai ser a mesma coisa. O sabor volta torto, cozido, com gosto de ontem.
A solução? Tratar o café com respeito: pré-aquecer a xícara, usar uma tampinha, servir menos por vez. Ou investir numa daquelas canecas tecnológicas que mantêm tudo na temperatura certa, um luxo necessário para quem não quer ver o melhor do café evaporar antes da hora. No fim das contas, tomar café é quase um ato de presença, um exercício de atenção: é estar ali, de verdade, nos primeiros minutos, quando o sabor ainda canta. Porque se tem uma lição que o café ensina, é essa: o melhor da vida tem hora marcada e passa rápido.
Fonte: Sabor que foge da xícara: por que temperatura média traz o melhor do café | CNN Brasil V&G
Assinale a alternativa que apresente o tipo de relação estabelecida entre os períodos do texto pelo termo em destaque no período: Mas a verdade é que essa felicidade tem prazo de validade.
- Dúvida.
- Alternância.
- Contrariedade.
- Explicação.
- Causalidade.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Mas é aqui conjunção coordenativa adversativa que indica contrariedade: estabelece oposição entre duas ideias apresentadas em orações independentes.
No trecho, a primeira oração enaltece a felicidade de uma xícara de café quente. A conjunção Mas introduz a segunda oração para contrapor essa ideia, informando que essa felicidade é limitada.
Assim, a função de Mas é negar ou reduzir parcialmente a expectativa criada antes, apontando um fato que se opõe ao que foi dito.
Em termos discursivos, esse uso organiza o texto em argumento e qualificação, permitindo ao autor matizar a afirmação inicial e conduzir o leitor à conclusão proposta.
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