Questão FC545653
Por que não aceita o nosso, Jacinta?
Sem classificação
AMEOSC · 2025
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Jacinta
Faz tempo, recusava-me a ir, porém, hoje, impossível evitar.
Enfermaria da UTI do Hospital São Lucas, Vitória,Espírito Santo, Brasil, Jacinta em coma.
Desde maio, Jacinta está em coma; só hoje fui visitá-la.
Creio que não suportou a dor de celebrar um ano da morte de sua filha, que seria no mês seguinte, e fugiu.
Fugiu para dentro de si, numa viagem amarga que não evidencia sua sempre forte alegria com a vida − entrou em silêncio, em distanciamento, deixou-nos.
Mas não morreu. Está ali e chorou quando lhe disse que estava ali. E chorei porque quem vi ali não era Jacinta.
Vi um corpo sofrendo, moribundo.
Perguntei à enfermeira e, não satisfeita, perguntei ao médico. Confirmado. Era Jacinta. Não vi uma pessoa, um ser imbuído de vida. Vi o sofrimento de alguém que não quer viver e não tem a alegria de ir − sofre, ego ferido pela vida, e reclama amor.
Por que não aceita o nosso, Jacinta?
Temos pouco, não temos sua filha. Estamos vivos,...
Viva!
Não viveu. Foi-se no dia seguinte.
GONZÁLEZ, Liana. Jacinta. Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufes.br/server/api/core/bitstreams/5e31bd4b-2da7-42 b6-bf5a-f3253a96eb4e/content . Acesso em: 16 out. 2025.
No período "Creio que não suportou a dor de celebrar um ano da morte de sua filha, que seria no mês seguinte, e fugiu", as orações iniciadas por "que" exercem funções distintas. Assinale a alternativa que analisa corretamente essas orações quanto à sua natureza sintática:
- A oração "que seria no mês seguinte" é uma subordinada adverbial temporal, modificando o verbo "celebrar"; a oração anterior, "que não suportou a dor...", tem valor de aposto explicativo da oração principal.
- Ambas as orações subordinadas introduzidas por "que" têm valor substantivo: a primeira como objeto direto do verbo principal, e a segunda como complemento do substantivo "filha", que exige informação adicional sobre sua ausência.
- A primeira oração subordinada é uma oração subordinada substantiva subjetiva, pois realiza o papel de sujeito do verbo "creio"; a segunda é uma oração coordenada assindética explicativa, já que amplia o sentido da oração anterior com base em inferência causal.
- A primeira oração introduzida por "que" funciona como oração subordinada substantiva objetiva direta, complementando o sentido do verbo "creio"; a segunda oração, também iniciada por "que", tem função adjetiva, pois retoma o termo "morte" e expressa uma circunstância temporal associada a ele.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
Oração subordinada substantiva objetiva direta: a primeira oração introduzida por que — que não suportou a dor de celebrar um ano da morte de sua filha — funciona como conteúdo do verbo creio. Ela atua como objeto direto, pois completa o sentido do verbo de opinião, sendo substituível por um pronome demonstrativo (por exemplo, isso).
Oração subordinada adjetiva: a segunda oração que seria no mês seguinte retoma o substantivo morte e lhe acrescenta informação temporal. Por isso tem função adjetiva, qualificando/explicitando o termo antecedente; a presença da vírgula indica caráter explicativo, acrescentando uma circunstância temporal relacionada à morte.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em