Questão FC551039
“Este não deve ter finalidade alguma, senão a de matar o tempo”. O termo em destaque, da maneira que se encontra grafado, foi empregado de modo a preservar sua adequação semântica
Ortografia
IBAM · 2021
DEIXA O ALFREDO FALAR!
A arte brasileira da conversa não é de fácil aprendizado. Como toda arte, exige antes de mais nada uma verdadeira vocação. E essa vocação se aprimora ao longo do caminho que vai da inocência à experiência. Como em toda arte.
Distinga-se: quando falo em conversa, não estou me referindo à lábia, à astúcia, à solércia do brasileiro no passar a bicaria e vender o seu peixe. Falo precisamente no bate-papo, erigido numa das mais requintadas instituições nacionais.
Mas por que arte brasileira? Os outros povos acaso não batem papo? A própria expressão, brasileiríssima, corresponde em inglês exatamente ao verbo “to chat.” Até os ingleses, meu Deus, os ingleses têm também o seu papo: um deles, na mesa do bar, olha para fora e diz que vai chover; meia hora depois outro diz que não vai chover; meia hora depois o terceiro se retira dizendo que não gosta de discussão. A falta de graça desta velha anedota não está em ser velha, mas na finalidade útil que fez murchar o papo. Este não deve ter finalidade alguma, senão a de matar o tempo da melhor maneira possível. É coisa de latino em geral e de brasileiro em particular: fazer da conversa não um meio, mas um fim em si mesmo. Se não me engano, essa é a distância que separa a ciência da arte.
No papo bem batido, a discussão não passa de uma motivação, sem intuito de convencer ninguém, nem de provar que se tem razão. Os que nela se envolvem devem estar sempre prontos a reconhecer, no íntimo, que poderiam muito bem passar a defender o ponto-de-vista oposto, desde que os que O defendem fizessem o mesmo. Os temas devem ser de uma apaixonante gratuidade, a ponto de permitir que, no desenrolar da conversa, de súbito ninguém mais saiba o que se está discutindo. Mesmo nas eternas discussões sobre mulher, religião ou futebol, para que se constituam em bate-papo, longas digressões hão de ser admitidas, desde que pertinentes.
Compilado e adaptado. Crônica de Fernando Sabino.
“Este não deve ter finalidade alguma, senão a de matar o tempo”. O termo em destaque, da maneira que se encontra grafado, foi empregado de modo a preservar sua adequação semântica e gramatical em todos os períodos seguintes, exceto em qual alternativa?
- Trabalhou muito durante a semana para terminar o projeto, senão seria impossível descansar no final de semana.
- Ninguém, senão o próprio dono, tinha permissão para dirigir o antigo automóvel.
- Não lhe restava alternativa senão pedir desculpas a quem havia ofendido.
- Senão estudarmos seremos reprovados.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Explicação: A frase correta exige a união da conjunção condicional se com o advérbio não, ou seja, se não, que introduz hipótese (subordinada condicional). Esse segmento equivale a caso não e expressa a condição que leva à consequência indicada.
Se não estudarmos, seremos reprovados.
Aqui a leitura correta é: caso não estudarmos, ocorrerá reprovação. Note a vírgula que separa a oração condicional da principal quando a condicional vem antes.
Escrever senão (palavra única) alteraria a função sintática, pois senão serve como ideia de “do contrário”, “exceto” ou “mas sim”, não para introduzir condição. Por isso, na frase indicada, a grafia correta é se não.
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