Questão FC551041
Tendo por parâmetro a norma culta, podemos afirmar que as lacunas I e II do terceiro parágrafo deverão ser preenchidas conforme indicado em qual alternativa?
Ortografia
IBAM · 2020
Texto
A humanidade é movida a medo, essa emoção primária. Quando se transforma em pânico, como agora, com as atuais manifestações da epidemia de coronavírus, esse medo pode produzir efeitos ainda mais devastadores do que o próprio vírus.
Para o filósofo e pensador inglês Thomas Hobbes, autor de O Leviatã, a insegurança e o medo dos perigos que cercam a vida das pessoas e das nações são os responsáveis pela criação do Estado e pela entrega do monopólio da violência e do exercício do poder para um chefe ou para um conjunto de dirigentes políticos.
I muitos tipos de medo: da morte, da invasão dos bárbaros, do fim dos tempos, do diabo, do escuro, da mulher, da feitiçaria, da doença. Em 1978, o historiador francês Jean Delumeau escreveu um livro notável, História do Medo no Ocidente, traduzido para o português pela Companhia das Letras. Lá, reserva um capítulo sobre o medo da peste, II que assolou a Europa entre 1348 e 1720, período que matou cerca de dois terços da população.
As pessoas temem até o ar que se respira. Têm medo dos defuntos, dos vivos e de si mesmo.
Compilado. Celso Ming. Jornal "O Estado de São Paulo", edição de 26/1/2020.
Tendo por parâmetro a norma culta, podemos afirmar que as lacunas I e II do terceiro parágrafo deverão ser preenchidas conforme indicado em qual alternativa?
- I - Há; II - mal.
- I - Á; II - mau.
- I - Á; II - mal.
- I - Há; II - mau.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Há muitos tipos de medo e mal que assolou a Europa são as formas corretas porque respeitam a função sintática e semântica das palavras no período.
O verbo há (do verbo haver) tem sentido de existir e é impessoal: não aceita sujeito e permanece no singular. Por isso escreve‑se Há muitos tipos de medo, e não se flexiona para concordar com "muitos tipos".
Já mal é um substantivo que significa malefício, flagelo ou infortúnio, adequado em o mal que assolou a Europa. Não se trata do adjetivo mau, usado para qualificar substantivos (ex.: "um homem mau"). Assim, a leitura correta e culta do trecho exige há e mal.
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