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Questão FC551047

O trecho acima foi reescrito preservando-se o sentido original e respeitando o que preceitua a norma culta em qual alternativa?

Ortografia

IBAM · 2016

BALANÇO 

Por que hei de agradar o rude sofrimento e mais rude torná-lo, na desesperança? Por que proclamar a tristeza inútil diante das coisas que secretamente e melhor compreendo? Não falarei do desamparo que finamente me aperta os dedos na garganta. Não citarei o sentimento peculiar aos que têm propensão para o desengano e, mais do que nunca, ao crepúsculo, sentem-se traídos e ultrajados sem motivo. Não mais me referirei a estados de alma que nada contêm além de um vazio cinzento e interminável, um abismo de sombra e de abstrato, onde a tristeza rumina o seu cadáver. 

Todos os gestos seriam inúteis. Nada salva e tudo nos perde e atraiçoa. O temor sustenta minhas interrogações e de repente me sinto só, perdidamente só e anterior a todos, como se ninguém mais houvesse. Tudo desaparece na refração das águas da memória. Vejo as imagens deformadas, mas que persistem, fantasmas íntimos. Rio e já não entendo; choro e me dilacero lentamente no tempo em que tudo está pesadamente mergulhado. Não grito porque o hábito se forma e o pudor defende. Conheço e entendo. Algumas vezes adivinho, mas não devasso. O que sabe deve calar-se para não ferir. Se digo, as palavras nada significam senão o prazer de proferi-las e achá-las bem achadas, não para que exprimam, mas simples jogo colorido que diverte. Não proporei normas, nem direi o que abomino. Deu-nos Deus a palavra para melhor silenciar. No inarticulado, me descubro um homem, com um nome, certos hábitos, fisionomia, alguns cacoetes e muitas possibilidades. Mas sobretudo vivendo por conta própria. 

Foi um ato irresponsável confiar-me a mim mesmo. Meu destino gira nos meus dedos. Não me pertenço e nem me encontro. O tormento da lembrança, como cãibra, paralisa os gestos e sobrepõe ao que é o que já foi. Calculadamente percorro o caminho da fatalidade, onde os abismos espreitam e aguardam a imagem quebrada, e cem vezes traída. 

Oito Lara Resende, texto publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo, edição de 5110102, disponível em {http:llwww.releituras.com/olresende_balanco.asp]. 

"Por que hei de agradar o rude sofrimento e mais rude torná-lo, na desesperança?" 

O trecho acima foi reescrito preservando-se o sentido original e respeitando o que preceitua a norma culta em qual alternativa? 

  1. Hei de agradar o rude sofrimento e mais rude, torná-lo, na desesperança, porquê?
  2. Hei de agradar o rude sofrimento e mais rude, torná-lo, na desesperança, por que?
  3. Hei de agradar o rude sofrimento e mais rude, torná-lo, na desesperança, por quê?
  4. Hei de agradar porquê o rude sofrimento e mais rude torna-lo, na desesperança?
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa C está correta porque mantém o sentido interrogativo original de "por qual motivo" e atende à norma sobre os diferentes usos de por que.

Quando a locução interrogativa aparece no final da frase ou antes de pontuação, usa-se por quê com acento, preservando a entonação e sinalizando a pergunta.

No caso, a reescrita desloca o questionamento para o final: “Hei de agradar o rude sofrimento ... , por quê?” Assim, o sentido permanece o mesmo e a grafia é a exigida pela norma culta.

Para comparação rápida: porque é explicativo/causal, porquê é substantivo, e por que sem acento marca perguntas no meio da frase.

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