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Questão FC551057

Quem sabe o planeta − esse organismo vivo chamado Gaia − já não está dando sinais de irritação, remexendo-se em furacões, enchentes, terremotos e incêndios para livrar-se da prepot

Ortografia

IBAM · 2025

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

A onça vegana e o galo machista

 

Imagino que, daqui a milhares de anos, quando a Terra for um deserto, exploradores de outras galáxias estudarão nossa história. Descobrirão que, entre os séculos XX e XXI, o planeta foi inundado por desinformação e conceitos fantasiosos. A mídia da época propagou equívocos e a estupidez tomou conta de lares, escolas e discursos políticos. Essa avalanche afetou a inteligência e o discernimento, marcando o declínio da civilização terráquea. Um triste registro de nossa decadência.

 

Vivemos sob uma onda de ingenuidade e arrogância. Exemplo disso é a reação a uma cena natural no Pantanal: uma onça devorando uma anta. Algo comum, já que onças estão no topo da cadeia alimentar, gerou censura e revolta online. Outro caso inusitado foi um vídeo de adolescentes portuguesas denunciando o comportamento de um galo como machista e opressor ao bicar e copular com as galinhas. Alegavam que o ato configurava "estupros machistas" e exigiam reação humana.

 

Surpreendentemente, as reações eram sérias, o que me levou a refletir sobre o afastamento da realidade. Muitos escolhem viver em uma bolha idealizada, onde o mal não existe e tudo é fofinho. Essa visão ignora a complexidade do mundo natural, onde conflitos e relações predador-presa são essenciais e deveriam ser estudados, não censurados.

 

O planeta, a natureza e suas configurações originais existem há 4,5 bilhões de anos. Já nós, humanos, chegamos aqui há apenas 300 mil. Se a nossa lamentável sina se resume a interferir na ordem natural com arrepios e arrogâncias intempestivas disfarçadas de "ações para o bem do planeta e da humanidade", já vamos indo bem, esculhambando tudo com pretensas boas intenções.

 

Quem sabe o planeta − esse organismo vivo chamado Gaia − já não está dando sinais de irritação, remexendo-se em furacões, enchentes, terremotos e incêndios para livrar-se da prepotência dessa espécie insolente chamada Homo sapiens?

 

Fernando Fabbrini - Texto Adaptado

 

https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/a-onca-vegana-eo- galo-machista-1.2848837

 

Sobre o uso da acentuação gráfica nas palavras em destaque no trecho: "Essa avalanche afetou a INTELIGÊNCIA e o discernimento, marcando o DECLÍNIO da civilização TERRÁQUEA", é correto afirmar que:

  1. recebem acento gráfico por serem paroxítonas terminadas em ditongo crescente (proparoxítonas aparentes).
  2. uma dessas palavras não deveria receber acento gráfico, pois não segue as novas regras do Acordo Ortográfico.
  3. duas palavras recebem acento gráfico por serem proparoxítonas terminadas em ditongo aberto.
  4. recebem acento gráfico por serem oxítonas terminadas em vogal aberta.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa está correta: as três palavras são paroxítonas e recebem acento gráfico por terminarem em ditongo crescente, fenômeno descrito como proparoxítonas aparentes.

Uma paroxítona tem a sílaba tônica na penúltima sílaba. O ditongo crescente é a sequência semivogal + vogal que forma uma única sílaba final. Nesses casos a marcação gráfica indica que a tonicidade permanece na penúltima sílaba.

Divisão e tonicidade: inteligência → in-te-li-gên-cia (final ia = ditongo crescente); declínio → de-clí-nio (final io = ditongo crescente); terráquea → ter-rá-quea (final ea = ditongo crescente).

Por isso recebem acento gráfico: a tonicidade é penúltima e o grupo vocálico final é ditongo crescente, configurando as chamadas proparoxítonas aparentes.

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