Questão FC551280
Texto 1: PISCINA Era uma esplêndida residência, na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de jardins e, tendo ao lado, uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos grotescos s
Morfologia
IBAM · 2023
Texto 1: PISCINA
Era uma esplêndida residência, na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de jardins e, tendo ao lado, uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos grotescos se alastrando pela encosta do morro, comprometesse tanto a paisagem.
Diariamente desfilavam diante do portão aquelas mulheres silenciosas e magras, lata d'água na cabeça. De vez em quando surgia sobre a grade a carinha de uma criança, olhos grandes e atentos, espiando o jardim. Outras vezes eram as próprias mulheres que se detinham e ficavam olhando. Naquela manhã de sábado ele tomava seu gim-tôniça no terraço, e a mulher um banho de sol, estirada de maiô à beira da piscina, quando perceberam que alguém os observava pelo portão entreaberto. Era um ser encardido, cujos trapos em forma de saia não bastavam para defini-la como mulher. Segurava uma lata na mão, e estava parada, à espreita, silenciosa como um bicho. Por um instante as duas mulheres se olharam, separadas pela piscina. De súbito pareceu à dona de casa que a estranha criatura se esgueirava, portão adentro, sem tirar dela os olhos. Ergue-se um pouco, apoiando-se no cotovelo, e viu com terror que ela se aproximava lentamente: já atingia a piscina, agachava-se junto à borda de azulejos, sempre a olhá-la, em desafio, e agora colhia água com a lata. Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabeça - e em pouco sumia-se pelo portão.
Lá no terraço o marido, fascinado, assistiu a toda a cena. Não durou mais de um ou dois minutos, mas lhe pareceu sinistra como os instantes tensos de silêncio e de paz que antecedem um combate. Não teve dúvida: na semana seguinte vendeu a casa.
FERNANDO SABINO ln: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976.
O trecho do texto Piscina “(...) equilibrando a lata na cabeça (...)' tem um verbo no gerúndio. O gerúndio é umas das formas nominais de flexão dos verbos e pode valer por um advérbio ou adjetivo. Um trecho da sinopse do filme Parasita em que aparece um verbo ou locução verbal no gerúndio está apresentado na seguinte alternativa:
- ( ) “(...) vivendo num porão sujo e apertado.”
- ( ) “(..) o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês (...)”
- ( ) “(...) bolam um plano (...)”
- ( ) “(..) se infiltrarem também burguesa, um a um.”
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Gabarito
A
Comentário do professor
“vivendo num porão sujo e apertado.” apresenta o verbo vivendo no gerúndio, forma nominal dos verbos caracterizada morfologicamente pela terminação -ndo.
O gerúndio expressa aqui ação contínua ou estado durativo: indica o modo como os sujeitos se encontram, isto é, o fato de estarem vivendo permanentemente naquela condição.
Sintaticamente, a expressão funciona como termo que amplia a informação sobre a situação dos personagens, cumprindo papel similar ao de adjunto adverbial de modo/estado, ao invés de estabelecer tempo verbal principal.
Em resumo, vivendo é gerúndio por sua forma e por indicar continuidade do viver, qualificando a condição descrita em “num porão sujo e apertado”.
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