Questão FC551314
A IDADE DO DINHEIRO E DA DOR A critica ao novo-rico é antiga. Aparece no texto do Satíricon, atribuído a Petrônio, especialmente no episódio da ceia de Trimalcião. O tema ecoa no B
Morfologia
IBAM · 2023
A IDADE DO DINHEIRO E DA DOR
A critica ao novo-rico é antiga. Aparece no texto do Satíricon, atribuído a Petrônio, especialmente no episódio da ceia de Trimalcião. O tema ecoa no Burguês Fidalgo, de Molière. É um tema universal.
Não preciso relembrar os itens centrais do ataque. Ostentação é coisa de dinheiro recente. Dinheiro antigo é discreto. A cor do novo capital é o dourado; sua urbe é Miami. O dinheiro novo tem artistas de eleição que não convém identificar. O mais interessante e que os ataques aos "novos-ricos" não saem apenas de aristocracias tradicionais, todavia de classes menos favorecidas.
Desde muito tempo, alguns membros do dito "povo" aceitam (em parte) que exista um grupo de elite cujo refinamento se perca das brumas do tempo. Apesar disso, se houver alguém que até ontem pegava ônibus ao seu lado, ou que morava em bairro com CEP mais popular ... Ah! Este sera ironizado e atacado. A reciproca é verdadeira, pois, quase sempre, o dinheiro recente é mais agressivo com grupos populares do que aqueles com ancestrais na nobreza do Segundo Reinado.
Interessante notar que, sob as capas e pátinas douradas, há pontos de proximidade. O que marca uma elite é seu acesso exclusivo a alguns beneficios. O novo-rico compra coisas caras e exibe-as como um sinal de distinçao. "Este e meu carro de luxo, estas sao minhas joias, e meu cachorrinho come tais produtos. Tenho o que você não tem, porque possuo coisas muito caras e exclusivas."
O chamado old money seria muito diferente? De alguma forma, não. A tradição, pela exclusividade, também busca se distinguir da plebe. Se o grupo "emergente" gasta rios de dinheiro para criar ilhas especiais, o tradicional invoca a história da sua ilha.
Então, ao contrário do primeiro, a tradição não gasta um apartamento de luxo para comprar uma pintura colorida da moda e coloca-la na sala de jantar, informando o preço aos convidados.
"Se minha fortuna tem mais de cem anos, o quadro de que eu me orgulho é um Di Cavalcanti, com o rosto de Vovó na fazenda." Isso, um artista de primeira linha ter pintado minha família, jamais será comum, porque o capital pode dourar tudo, porém esbarrará na história.
A tradição moral católica ensinava que existiam pecados por classe social. Os ricos? Poderiam ser condenados por avareza. Os pobres? Por inveja. Nos dois casos, estava asfaltada a via para o Inferno.
Compilado, Leandro Kamal. Disponível em [https://www.estadao.com.br/cuitura/leandro- kamal/a-idade-do-dinheiro-e-da-dor/], Publicado em 23.4.23 e consultado em 12.5.2023.
Das frases abaixo, identifique qual delas está com todos os pronomes empregados corretamente.
- Pega aquela camisa pra eu, por favor.
- . Estou cansado, mas ainda faltam muitas coisas para eu fazer.
- Vós estamos atrasados para o show.
- Deixe-los, que tomem suas decisões sozinhos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Estou cansado, mas ainda faltam muitas coisas para eu fazer.
Nesta frase, o pronome eu está empregado corretamente porque atua como sujeito da oração reduzida de infinitivo "fazer". Quando uma oração subordinada reduzida de infinitivo tem sujeito expresso e esse sujeito é diferente do sujeito da oração principal, o pronome deve aparecer no caso reto.
Gramaticamente, "para" introduz a oração infinitiva cujo verbo "fazer" tem como agente a 1.ª pessoa do singular. Por isso usa-se "eu" e não formas oblíquas. Pronomes oblíquos tônicos servem a funções de complemento e não desempenham função de sujeito.
Resumo: o uso de eu é exigido pela função sintática de sujeito na oração infinitiva, tornando a alternativa correta.
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