Questão FC551417
ADEUS. SALSICHAS Feijoada, cachorro quente, presunto, hambúrguer industrializado, salames de todo tipo, linguiça, defumada ou não, sanduíches consagrados - enfim, carnes processada
Morfologia
IBAM · 2015
ADEUS. SALSICHAS
Feijoada, cachorro quente, presunto, hambúrguer industrializado, salames de todo tipo, linguiça, defumada ou não, sanduíches consagrados - enfim, carnes processadas são alimentos que concorrem para desenvolver câncer no aparelho digestivo, especialmente estômago e intestinos. Até mesmo o churrasco comparece à lista, na medida em que é processado sob fumaça que produz alcatrão.
Quem faz a advertência, de maneira estudada e formal, não é uma ONG de vegetarianos ou uma congregação de obcecados pregadores de dietas alternativas. Esta também não é uma daquelas superstições populares amplamente divulgadas no passado - como a de que leite com manga faz mal.
É a Organização Mundial da Saúde que se manifesta agora nesses termos, com todo seu peso institucional. A conclusão foi divulgada oficialmente após estudo elaborado por 22 cientistas que avaliaram 800 trabalhos sobre a relação entre esses alimentos e onze tipos de câncer.
Como, apesar das advertências de Bismarck, alemães e austríacos são devoradores contumazes de salsichas; como o americano típico não dispensa fartas porções de bacon e de ovos mexidos com presunto no seu café da manhã; como o espanhol não passa nem uma semana sem se regalar com seu prato de tapas, armado com embutidos de todo tipo. Como o brasileiro é grande entusiasta do churrasco e da feijoada; como no mundo inteiro aumenta o consumo de hambúrgueres e de carnes industrialmente processadas - então podemos estar diante de forte ataque à indústria de carnes e de proteína animal.
Se as autoridades sanitárias em todo o mundo se sentirem obrigadas a divulgar as mesmas advertências que passaram a fazer ao consumo de cigarros e de bebidas alcoólicas - na base de “o Ministério da Saúde adverte...” grandes negócios ficarão ameaçados. Imagine o impacto sobre McDonald's, Burger King e todas as indústrias brasileiras cujos produtos estão sendo hoje promovidos por artistas da Globo.
A partir dos anos 50, assim que começaram a ser divulgados os primeiros informes sobre os prejuízos à saúde provocados pelo tabaco, as grandes indústrias do setor foram ao contra-ataque. Contrataram especialistas para produzir pesquisas que refutassem as autoridades mundiais do setor e, com isso, conseguiram adiar a decadência. Poderá o mesmo acontecer agora com a indústria de carnes? O estrago nas comunicações pode ser forte, especialmente na área da publicidade, onde apelos ao consumo de alimentos suspeitos começarão a ser questionados.
O fato é que está em curso, ampla campanha contra coisas boas da vida, especialmente contra alimentos.
Compilado de artigo da autoria de Celso Ming, disponível
em [http://economia.estadao.com.br/ noticias/geral,adeus-salsichas, 10000000775], publicado e consultado em 28/10/15.
O trecho abaixo será utilizado na resolução da questão
“Até mesmo o churrasco comparece à lista, na medida em que é processado sob fumaça que produz alcatrão”.
Sobre a locução - na medida em que - é possível afiançar que:
- foi adequadamente utilizada, no contexto em que está inserida, pois empregada com valor causal.
- poderia, sem prejuízo à norma culta da língua, ou mesmo ao contexto, ser substituída pela similar - à medida que.
- é indicativa de proporcionalidade, assim como na frase - Na medida em que chovia, maiores tomavam-se as probabilidades de enchentes nas áreas baixas da cidade.
- na conjuntura utilizada, vai de encontro ao preconizado pela norma culta da língua; mais adequada seria a utilização da locução “á medida em que”
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Gabarito
A
Comentário do professor
Na frase “Até mesmo o churrasco comparece à lista, na medida em que é processado sob fumaça que produz alcatrão”, a locução na medida em que introduz relação de causa.
Ela explica o motivo pelo qual o churrasco integra a lista: é processado sob fumaça que gera alcatrão, fator cancerígeno.
Nesse uso, a locução pode ser substituída por conjunções causais como “visto que”, “uma vez que” ou “porque”, sem perda de sentido.
Importa observar que aqui a expressão não está indicando progressão ou proporção, mas justificando a inclusão do alimento na lista por uma razão objetiva.
Portanto, a utilização é adequada ao contexto, pois manifesta claramente o valor causal esperado.
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