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Questão FC551456

- Olá, meu cunhado - disse a onça - queria saber se você é tão forte quanto eu. Eu quebro tudo o que vejo na minha frente. Você quer ver?

Morfologia

IBAM · 2023

Texto 2

A onça valentona e o raio poderoso

Povo Taulipang

Os velhos do povo Taulipang contam que, antigamente, lá no início dos tempos, (...) a onça era muito metidab a besta. Gostava de aparecer e amedrontara todo mundo, todos os animais. Fazia isso para poder se alimentar, mas fazia também para convencer a todos que ela era a mais poderosad do lugar.

Um dia ela encontrou um moço muito formoso à beira de um rio. Ele estava preparando um bastão. Sua distraçãoc era tanta que nem percebeu a onça aproximar-se às suas costas.

Ela chegou, então, de supetão e lançouse sobre o estranho. Embora ela quisesse devorá-lo, não o fez naquele momento, pois antes queria humilhar sua presa. Por isso a onça apenas passou por cima do moço que permaneceu impassível. Ele apenas levantou os olhos e a cumprimentou.

- Olá, meu cunhado - disse a onça - queria saber se você é tão forte quanto eu. Eu quebro tudo o que vejo na minha frente. Você quer ver?

Nem esperou a resposta de Raio, como se chamava o moço. Imediatamente subiu na árvore carimbé e a quebrou totalmente. Foi sobre a árvore paricá e a estraçalhou com sua força descomunal. Desceu ao chão e cavou com suas garras, destruindo tudo à sua frente.

- Viu como sou forte, meu cunhado? Sou forçuda. Nada pode me deter. Agora eu quero ver sua força.

Raio permaneceu imóvel onde estava.

Apenas comentou:

- Não sou forte como você, cunhada. Não tenho a força.

Não convencida, a onça mostrou mais uma vez sua força soltando fortes urros que foram ouvidos por toda a terra. Subiu em outras árvores e as destruiu sem dó nem piedade.

Quando acabou sua demonstração e em prova de sua coragem, sentou-se de costas para Raio. Ele levantou-se de seu lugar e passou a agitar seu bastão produzindo faíscas, trovões, trovoadas, coriscos e toda sorte de barulho. Atordoada, a onça despencou no chão. Raio a pegou pelas pernas e a atirou bem longe dali.

Não sabendo o que pensar, a onça começou a fugir tentando encontrar um abrigo para se esconder. No entanto, para onde quer que corresse, Raio ia até ela e a descobria: ela correu para esconder-se nos rochedos, Raio foi lá e partiu os rochedos ao meio; ela subia nas árvores, Raio mandava seus raios sobre elas e as queimava inteiras obrigando a onça a procurar novos lugares. Ela enfiou-se no buraco do tatu gigante, Raio abriu a terra com seus raios poderosos e a fez fugir.

Eram tantos os poderes daquele jovem que apareceram chuvas, ventos, coriscos e deixaram tudo muito frio. Tão frio que a onça não podia mais correr para lugar nenhum.

Quando Raio viu a onça toda encolhida e medrosab, deitada sobre o próprio rabo, encaminhou-se para ela e ergueu as mãos como se fosse mandar um raio direto no coração do bichano. Mas não foi o que aconteceu. Na verdade, Raio parou diante do bicho todo acuado.

- Você viu, minha cunhadad? Eu tenho a força muito maior do que a sua e nada pode me parar. E melhor que você não queira se achar toda poderosa antes de conhecer seu adversário.

Agora eu vou embora, mas você sempre vai lembrar de mim.

Já toda envergonhadaa e cabisbaixac, a onça foi para sua casa.

Dizem os velhos desse povo, que é por isso que, até hoje, a onça tem tanto medo de trovoada. E que dentro dela mora a lembrança da existência do poderoso Raio.

(MUNDURUKU, Daniel. Contos indígenas brasileiros. 2. ed. São Paulo, Global, 2005)

 

Dois adjetivos associadas à onça, que indicam a mudança de postura dessa personagem ao longo da narrativa, são:

  1. "amedrontar" e "envergonhada".
  2. "metida" e "medrosa".
  3. "distração" e "cabisbaixa".
  4. "poderosa" e "cunhada".
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Gabarito

B

Comentário do professor

Metida e medrosa são adjetivos que qualificam a onça em momentos distintos do texto, apontando a mudança de comportamento da personagem.

Como adjetivos, eles modificam o substantivo "onça" e retratam atitudes opostas: metida descreve sua postura inicial de arrogância e exibicionismo, expressa em "metida a besta" e nas demonstrações de força.

Medrosa aparece ao final para indicar seu estado de medo e humilhação após o confronto com Raio, confirmado pela descrição de estar "toda encolhida" e acuada.

Assim, esses dois termos evidenciam a transformação da personagem ao longo da narrativa, do orgulho à submissão diante de um adversário superior.

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