Questão FC551469
Como resolver?
Morfologia
IBAM · 2020
TEXTO: OS DESAFIOS DA MOBILIDADE URBANA NO BRASIL
Transporte público de qualidade é um dos pontos que mais demandam aprimoramento
Em 1960, a recém-fundada Brasília chamou a atenção das pessoas por suas avenidas longas e largas. A cidade, que nasceu como capital do Brasil, foi projetada pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa com o objetivo de se tornar uma referência para o futuro — porém, hoje é um dos municípios brasileiros que mais sofrem com engarrafamentos.
Se até mesmo um ambiente urbano planejado, como Brasília, sofro com problemas de mobilidade, imagina, então, o que ocorre em cidades centenárias, que evoluíram desordenadamente com o passar dos anos, como São Paulo e Rio de Janeiro?
É esse contexto que exige uma demanda de pensamentos sobre as maneiras de organizar o espaço da cidade considerando o território, permitindo o livre fluxo de pessoas e de mercadorias e comportando todos os meios de transportes cabíveis.
"Através do tempo, a sociedade fez e refez suas malhas urbanas seguindo as tendências que determinou para si, mesmo que impostas por poderes econômicos ou políticos.
A tecnologia agora protagoniza o escopo de soluções, apresentando à sociedade quais deverão ser implementadas para diminuir as distâncias, viabilizar o contato entre as pessoas e gerar menor impacto ambiental", explica Ricardo Fortes, diretor de relações corporativas da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), em artigo do Estadão.
Os principais problemas
Um dos maiores entraves da mobilidade urbana é a cultura do carro, que prioriza o uso de veículos particulares. Nesse sentido, "De um lado, você teve um abandono nos investimentos para os ônibus, sem obras para novos corredores, e uma política de reajuste das tarifas por parte da Prefeitura. De outro, houve uma política de facilitar a aquisição de carros", comentou o geógrafo e especialista em mobilidade urbana Rafael Calabria em entrevista ao Estadão sobre o trânsito de São Paulo.
O que Calabria falou não é observado apenas na realidade paulista, mas também em diversas regiões de outros estados. O transporte público também carece de outros modais, um exemplo disso é que apenas sete cidades brasileiras operam linhas de metrô.
Como resolver?
Não existem soluções mágicas para resolver a mobilidade urbana no país. "Enfrentar tais desafios exige soluções de infraestrutura e sistemas de transporte coletivo mais econômicos, eficientes e integrados", escreve Ruy M. Altenfelder Silva, presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas, em artigo do Estadão. A integração multimodal e a melhoria no transporte público precisam ter destaque nesse momento.
Também é preciso valorizar o transporte público; no entanto, apenas 52% dos municípios brasileiros contam com transporte urbano de acordo com a Associação Nacional de Transportes Urbanos (NTU). Algumas cidades grandes, como São Paulo e Curitiba, investem em áreas exclusivas para ônibus, favorecendo aqueles que optam pelo transporte público — porém, não adianta o investimento ser destinado somente às vias, também é necessário que seja voltado ao sistema estrutural.
Outra opção é apostar em ciclofaixas, já que o ciclismo e os veículos compartilhados, como patinetes, cada vez mais ganham espaço nos meios urbanos. Uma pesquisa feita pelo lbope, em 2019, mostra que 82% dos paulistanos gostariam de novas ciclovias. É uma clara tendência de apoio ao uso das bicicletas.
"Isso é um estímulo importante para a continuidade das políticas públicas que incentivem o modal", afirma Jorge Abrahão — coordenador geral da Rede Nossa São Paulo, que encomendou a pesquisa, em matéria do Estadão.
Algumas metrópoles mundiais, como Londres e Estocolmo, implementaram sistemas de pedágio urbano, cobrando pela circulação de veículos em áreas mais centrais. Outra alternativa é ampliar a cultura da carona solidária, por meio de compartilhamento do mesmo veículo por pessoas que seguem na mesma direção. Nesse sentido, um conceito que tem crescido é o de "cidade compacta", no qual todos os serviços necessários, como moradia e comércio, ficam em uma mesma área. [...]
Disponível em: https://summitmobilidade.estadao.com.br/ir-e-vir-no-mundo/os-desafios-da-mobilidade-urbana-no-brasil/. Acesso em: 20 ago. 2020.
"Enfrentar tais desafios exige soluções de infraestrutura e sistemas de transporte coletivo mais econômicos, eficientes e integrados'', escreve Ruy M. Altenfelder Silva, presidente da Academia Paulista de Letras Jurídicas, em artigo do Estadão.
A palavra destacada no trecho acima não tem a mesma classe gramatical da alternativa a seguir:
- É esse contexto que exige uma demanda de pensamentos sobre as maneiras de organizar [...].
- Isso é um estímulo importante para a continuidade das políticas públicas que incentivem o modal" [...].
- Algumas cidades grandes, como São Paulo e Curitiba, investem em áreas exclusivas para ônibus [...].
- Outra alternativa é ampliar a cultura da carona solidária, por meio de compartilhamento do mesmo veículo [...].
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
"Algumas cidades grandes, como São Paulo e Curitiba..." apresenta o termo algumas como pronome indefinido com valor quantitativo vago. Ele não especifica quais nem quantas cidades, apenas indica uma porção indeterminada do conjunto "cidades".
Gramaticalmente, atua como determinante do substantivo, acompanhando-o e exigindo concordância em gênero e número (feminino plural: algumas cidades).
Esse emprego diferencia-se de pronomes demonstrativos ou relativos porque não aponta posição espacial/temporal nem retoma outro termo; limita-se a expressar indeterminação ou generalização sobre o substantivo referido.
Exemplos: Algumas pessoas chegaram cedo; Alguns relatos foram perdidos. Em todos, alguns/algumas marca quantidade imprecisa e concorda com o substantivo.
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