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Questão FC551558

Quem sabe o planeta − esse organismo vivo chamado Gaia − já não está dando sinais de irritação, remexendo-se em furacões, enchentes, terremotos e incêndios para livrar-se da prepot

Semântica

IBAM · 2025

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

 

A onça vegana e o galo machista

 

Imagino que, daqui a milhares de anos, quando a Terra for um deserto, exploradores de outras galáxias estudarão nossa história. Descobrirão que, entre os séculos XX e XXI, o planeta foi inundado por desinformação e conceitos fantasiosos. A mídia da época propagou equívocos e a estupidez tomou conta de lares, escolas e discursos políticos. Essa avalanche afetou a inteligência e o discernimento, marcando o declínio da civilização terráquea. Um triste registro de nossa decadência.

 

Vivemos sob uma onda de ingenuidade e arrogância. Exemplo disso é a reação a uma cena natural no Pantanal: uma onça devorando uma anta. Algo comum, já que onças estão no topo da cadeia alimentar, gerou censura e revolta online. Outro caso inusitado foi um vídeo de adolescentes portuguesas denunciando o comportamento de um galo como machista e opressor ao bicar e copular com as galinhas. Alegavam que o ato configurava "estupros machistas" e exigiam reação humana.

 

Surpreendentemente, as reações eram sérias, o que me levou a refletir sobre o afastamento da realidade. Muitos escolhem viver em uma bolha idealizada, onde o mal não existe e tudo é fofinho. Essa visão ignora a complexidade do mundo natural, onde conflitos e relações predador-presa são essenciais e deveriam ser estudados, não censurados.

 

O planeta, a natureza e suas configurações originais existem há 4,5 bilhões de anos. Já nós, humanos, chegamos aqui há apenas 300 mil. Se a nossa lamentável sina se resume a interferir na ordem natural com arrepios e arrogâncias intempestivas disfarçadas de "ações para o bem do planeta e da humanidade", já vamos indo bem, esculhambando tudo com pretensas boas intenções.

 

Quem sabe o planeta − esse organismo vivo chamado Gaia − já não está dando sinais de irritação, remexendo-se em furacões, enchentes, terremotos e incêndios para livrar-se da prepotência dessa espécie insolente chamada Homo sapiens?

 

Fernando Fabbrini - Texto Adaptado

 

https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/a-onca-vegana-eo- galo-machista-1.2848837

 

No trecho: "Imagino que, daqui a milhares de anos, quando a Terra for um deserto, exploradores de outras galáxias estudarão nossa história", o uso da forma "a" está correto, pois:

  1. indica o artigo definido feminino singular que especifica o substantivo "milhares", relacionado ao tempo.
  2. refere-se à preposição que introduz uma expressão de tempo futuro, seguindo as normas da língua portuguesa.
  3. trata-se da fusão entre preposição e artigo definido, com valor locativo e indicativo de tempo futuro.
  4. apresenta um erro ortográfico, pois deveria ser substituído por "há", já que o contexto se refere a uma ideia de tempo passado.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A atua aqui como preposição que introduz uma expressão temporal com referência ao futuro. A sequência daqui a milhares de anos organiza-se como daqui (ponto de referência) + a (preposição) + complemento de tempo, indicando quando algo ocorrerá em relação ao momento presente.

Em sintaxe, esse uso é regular: a preposição a governa o substantivo que expressa medida de tempo, formando locuções temporais equivalentes a "daqui X tempo". Assim, na frase dada, exploradores estudarão nossa história é situado temporalmente por daqui a milhares de anos, ou seja, num momento futuro.

Portanto, a forma está correta por cumprir a função prepositiva de marcar tempo futuro conforme as normas do português.

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