Questão FC551582
Por que as mulheres líderes ainda enfrentam resistência?
Semântica
IBAM · 2024
Texto-base:
Por que as mulheres líderes ainda enfrentam resistência?
A liderança feminina continua a ser um tema desafiador, especialmente no contexto corporativo e na vida pessoal.
Mesmo em tempos de avanços significativos na equidade de gênero, muitas líderes ainda enfrentam julgamento e resistência que parecem enraizados em questões culturais e estereótipos.
Uma das razões centrais para a percepção enviesada das mulheres na liderança está na divisão histórica de papéis femininos. Culturalmente, foi criada uma imagem da mulher como progenitora, cuidadora e responsável pela harmonia do lar. Esse arquétipo da "mãe" contrasta com a ideia da mulher como uma figura de poder no ambiente corporativo. A imagem da mulher executiva, que assume a liderança, exige criatividade, assertividade e tomada de decisões firmes, muitas vezes entra em conflito com a imagem tradicional da mulher responsável pelo cuidado dos outros.
Essa separação de papéis gera um desconforto tanto nas corporações quanto na vida pessoal, Muitas vezes, o homem é visto como natural para a liderança, enquanto a mulher é julgada mais duramente por tomar decisões semelhantes, como se houvesse uma contradição inerente entre ser uma boa mãe ou esposa e ser uma executiva competente.
[...] A liderança moderna exige uma combinação de habilidades: a capacidade de conectar, inspirar, ouvir, mas também de decidir e agir com firmeza. E essas habilidade não pertencem a um gênero específico. Na verdade, as líderes mulheres têm se destacado justamente porque trazem novas perspectivas ao ambiente corporativos. Mulheres na liderança frequentemente promovem culturas organizacionais mais colaborativas, com maior inclusão, inovação e foco no bem-estar dos colaborados. E superar o estigma em torno das mulheres líderes exige uma mudança profunda na forma como enxergamos poder, competência e gênero. [...]
A liderança feminina é uma fonte de inovação e força, e cabe a todos nós, homens e mulheres, criar o espaço a fim de que elas floresçam sem medo de julgamento ou repressão. É hora de abraçarmos um novo modelo de liderança, no qual o gênero não seja uma barreira, mas uma fonte de diversidade e riqueza pra nossas organizações.
RONCATI, JOÃO. 20 out. 2024. disponível em: <http://www.terra.com.br/vida-e-estilo/por-que-as-
mulheres-lideres-ainda-enfrentam-tanta-resistência,44e984aa41d112b9dd
7663c4e7721c4aayhg5fuoi.html (Adaptado)
Em relação às escolhas lexicais e seus efeitos de sentido no texto, está incorreto o que se afirma em:
- A palavra "enviesada", no parágrafo, sugere distorção ou preconceito, indicando que as críticas às mulheres líderes não são baseadas em méritos ou fatos concretos, mas em preconceitos sociais profundamente enraizados, que perpetuam uma visão limitada sobre sua capacidade de liderança.
- O termo "arquétipo", no parágrafo, refere-se a um modelo ou padrão aceito culturalmente, neste caso, relacionando à figura tradicional da mulher como cuidadora, reforçando características de passividade e acolhimento.
- A palavra "inerente", no parágrafo, é utilizado para reforçar que o conflito entre os papéis femininos é natural e inescapável, retratando-o como uma característica aceitável da condição feminina e destacando que as criticas são inevitáveis.
- A palavra "estigma", no parágrafo, carrega a ideia de marca socialmente negativa, indicando tanto a discriminação sofrida pelas mulheres líderes quanto o impacto emocional decorrente dessa visão preconceituosa, que limita seu reconhecimento profissional.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa C afirma que a palavra inerente está sendo usada para reforçar que o conflito entre papéis femininos é natural e aceitável. Isso é interpretação equivocada.
No trecho “como se houvesse uma contradição inerente…”, o autor descreve uma visão social, apresentando-a de forma crítica: ele relata que a sociedade encara esse conflito como natural, não que o próprio texto aceite essa ideia.
Portanto, o uso de inerente serve para apontar uma percepção atribuída culturalmente e problematizá‑la, não para legitimar a contradição. A alternativa confunde relato crítico com concordância, por isso seu enunciado é incorreto.
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