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Questão FC551686

Não é que Beatriz esqueceu a sacola no bagageiro do avião em nossa conexão?

Sintaxe

IBAM · 2025

O texto seguinte servirá de base para responder à questão

 

O cobiçado busto de Platão

 

Não se deve aceitar encomenda de amigos e familiares em viagens.

 

Jamais vai relaxar de verdade.

 

Em nossa estada na Grécia, minha esposa assumiu uma missão: comprar um busto em gesso do pensador Platão para sua prima Maria Dulce Reis. Doutora em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2007). Acima, só o seu filho Otávio.

 

Beatriz não tinha como negar. Afinal, Dulce nunca pedira nada.

 

Em Atenas, entramos em várias lojinhas de lembranças e souvernirs locais. Eu sentia que iríamos percorrer a cidade inteira em busca do tesouro.

 

Eu dizia:

 

— Compre logo! Garanta logo! Depois não vai ter mais oportunidade de vir aqui.

 

Ou ela achava Platão grande demais, ou pequeno demais. Ou feio demais, ou chique demais.

 

Minha preocupação era apenas não errar a pessoa.

Afinal, todos os expoentes da Grécia Antiga se parecem.

 

Um erro assim custaria caro, tínhamos que evitar. Não daria para retornar a Atenas, devolver o item e solicitar o cidadão certo.

 

Foi tamanho o pânico na idealização do presente que deixamos para escolher nas praias de Mykonos e Santorini. Só que lá não havia nada de bustos, de pensadores, de Acrópole.

 

Bateu o desespero. E agora?

 

Recomendei que Beatriz relaxasse. Certamente localizaríamos o produto no aeroporto de Atenas.

 

No nosso embarque, porém, quando não mais conseguiríamos reverter a situação, não existia Platão nas prateleiras do comércio do terminal internacional.

 

Partimos para o Plano B: trazer qualquer coisa de Platão: chaveiro, ímã, camiseta, bloco de notas, caneta, lápis. Compramos de tudo e raciocinamos: funcionaria como o equivalente a um busto.

 

Não é que Beatriz esqueceu a sacola no bagageiro do avião em nossa conexão?

 

Arrasada com o fracasso da expedição, Beatriz não desistiu. Tentou uma última cartada: adquirir o busto de Platão pela internet, no Mercado Livre. Mentiria que era da Grécia.

 

Com a lupa da malandragem, ampliou imagem por imagem das ofertas. Buscava uma estátua que não tivesse o nome em português. Se possível, uma com a inscrição como em Atenas, nos artigos para turista:

 

"Pláton". Não precisava ser o original.

 

Quando finalmente chegou o pacote, ela percebeu que se tratava de um boneco de plástico, não de gesso, feito em impressora 3D, com as linhas pontilhadas no rosto. E, para piorar, estava escrito em letras garrafais: PLATÃO.

 

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado

 

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/7/26/o-cobi cado-busto-de-platao

 

Assinale a alternativa que apresenta uma frase cuja vírgula é de uso facultativo.

  1. Arrasada com o fracasso da expedição, Beatriz não desistiu.
  2. Em Atenas, entramos em várias lojinhas de lembranças e souvernirs locais.
  3. Em nossa estada na Grécia, minha esposa assumiu uma missão: comprar um busto em gesso do pensador Platão para sua prima Maria Dulce Reis.
  4. Com a lupa da malandragem, ampliou imagem por imagem das ofertas.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Em Atenas, entramos em várias lojinhas de lembranças e souvernirs locais.

A vírgula após Em Atenas é de uso facultativo porque essa sequência funciona como um adjunto adverbial de lugar em posição inicial. Frases adverbiais iniciais, quando curtas e sem risco de ambiguidade, podem aparecer com ou sem vírgula.

Colocar a vírgula cria uma pequena pausa prosódica ou destaca o contexto espacial; omiti‑la torna a leitura mais fluida. Quando o adjunto for longo, complexo ou trouxer elementos internos, a vírgula passa a ser recomendada para clareza.

Exemplos válidos: Em Atenas entramos em várias lojinhas... ou Em Atenas, entramos em várias lojinhas...

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