Questão FC551698
Texto I Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial Por Arlindenor Pedro Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro
Sintaxe
IBAM · 2025
Texto I
Tempos modernos – uma crítica à sociedade industrial
Por Arlindenor Pedro
Quando o filme "Tempos Modernos" chegou às telas, em 1936, o mundo já convivia com o cinema sonoro há quase 10 anos. Durante todo esse tempo, o “vagabundo”, personagem que conhecemos como Carlitos, criado por Charlie Chaplin — que compartilhou nas primeiras décadas do século XX o infortúnio dos desvalidos, que viam nele uma identificação com seus geniais desempenhos — ficou sem aparecer nos cinemas.
No intervalo entre o seu último filme, "Luzes da Cidade", e o lançamento de "Tempos Modernos", Chaplin amadureceu a ideia de que o “vagabundo” não iria transitar no mundo do cinema sonoro. Decidiu, então, que "Tempos Modernos" seria o último filme do personagem. O que aconteceu de fato!
O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!
Em 1931, Chaplin fez uma turnê pela Europa e viu que os males que afligiam a economia americana — a recessão e o desemprego — estavam presentes em todo lugar. Viu, também, que os capitalistas europeus, a exemplo dos americanos, buscavam superar a crise por alterações no processo produtivo, adaptando-se aos novos tempos, racionalizando cada vez mais a produção. Os conceitos de Henri Fayol e Frederick Taylor, de racionalizar as operações de trabalho, levariam a um considerável ganho de produtividade, reduzindo o custo unitário dos produtos e ampliando a margem de lucro por implementos, que tiveram seu ápice com a linha de montagem fordista. Isso encantava os empresários. A aplicação dessas ideias resultou no desemprego de milhões de pessoas, contribuindo para acelerar o confronto dos países capitalistas através da guerra. O conflito aliviaria as tensões sociais internas e abriria as portas para novos mercados.
Retornando aos Estados Unidos, vivamente sensibilizado com essas questões, Charlie Chaplin tomou a decisão de fazer um novo filme, onde retrataria esse novo mundo. O cineasta sempre teve uma visão diferente daquela que estava sendo construída pelas elites econômicas da burguesia liberal. Sua Utopia era uma sociedade mais justa, com pleno emprego, sem a violência do Estado, com a felicidade ao alcance de todos, sem o racionalismo científico que tirava do ser humano a sua essência humanista, procurando transformá-lo em máquina. Eram ideias que ele procuraria sintetizar mais tarde, na cena final de seu próximo filme, lançado já em plena guerra: "O Grande Ditador".
Em "Tempos Modernos", Chaplin nos mostra o “vagabundo” — antípoda da sociedade moderna racionalizada — às voltas com a linha de montagem fordista, em um ambiente asséptico, científico, controlado e não menos cruel. Numa cena clássica, vemos o nosso herói ser sugado, literalmente, pelas engrenagens das máquinas industriais, sem condições, portanto, de se adaptar à linha de produção e, por isso mesmo, levado à loucura.
Nesses novos tempos, mais do que nunca, a competição econômica forçaria as empresas a buscarem a eficácia, revolucionando o trabalho, a técnica e os produtos, que adiante voltam a competir e a ser revolucionados, em um processo contínuo e infindável. Noutras palavras: estaria na lógica da produção de mercadorias a obrigatoriedade das empresas a racionalizarem o desenvolvimento das suas forças produtivas.
Fonte: https://www.jb.com.br/cadernob/ 2025/10/1057433-tempos-modernos-uma-critica-asociedade- industrial.html. Acesso em 31/10/2025. Excerto
Em “O mundo mudara muito nessa época, já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir!”, a vírgula antes de “já” tem como função:
- indicar posição de adjunto adverbial temporal.
- marcar uma oração subordinada adverbial anteposta.
- isolar um aposto explicativo que retoma o termo anterior.
- separar duas orações coordenadas assindéticas de sentido aditivo.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
A vírgula tem aqui a função de separar duas orações independentes, isto é, marcar a presença de uma oração coordenada assindética. Cada segmento apresenta sentido completo: "O mundo mudara muito nessa época" e "já se vivia a tensão de uma nova guerra que estava por vir".
Essas orações estão justapostas sem conjunção; se inseríssemos e entre elas, o sentido não mudaria, o que confirma a coordenação assindética com relação de adição.
O termo já atua como advérbio de tempo e não altera a função sintática da vírgula, que permanece marcando a justaposição. Assim, a vírgula indica a união de ideias em sentido aditivo, equivalente a um "e".
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em