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Questão FC551733

"Claramente, elas sabem, pela lógica, que é melhor esperar, mas saber não é suficiente" para seu cérebro em formação, concluem os estudiosos. "Sabemos que é só pelos 20 e poucos an

Sintaxe

IBAM · 2022

Texto

 

'CANTINHO DA DISCIPLINA' FUNCIONA PARA EDUCAR CRIANÇAS?

 

Como disciplinar as crianças é uma das grandes questões dos pais; descobertas sobre o funcionamento do cérebro colocam em xeque práticas comuns como o 'cantinho do pensamento'

 

Adianta colocar a criança de castigo ou, em uma versão mais suave, num "cantinho da disciplina"? Essa é  uma das dúvidas mais comuns de pais e cuidadores diante da "desobediência" infantil. Defensores do  "cantinho do pensamento" dizem que sim, argumentando que o método dá aos pais uma estratégia que evita a  violência. Mas o conhecimento recente da neurociência coloca essa ideia em xeque, ao mostrar que o cérebro  das crianças sequer tem maturidade para aprender um "bom comportamento" ou refletir sobre as regras da  família durante um castigo.

 

Essas evidências científicas apontam que a criança só vai incorporar sentimentos negativos durante essas  punições — por exemplo, ressentimento —, em vez de aprender habilidades importantes de vida e  ferramentas que a ajude a controlar as próprias emoções. Ao mesmo tempo, especialistas defendem que dá,  sim, para montar em casa um "cantinho" que sirva para acalmar na hora em que as tensões e as brigas  escalonam.

 

Os cientistas descobriram que, durante toda a infância, mas sobretudo nos primeiros anos de vida, o córtex  pré-frontal está imaturo. "O córtex pré-frontal está nos estágios mais rudimentares do desenvolvimento nessa  idade", diz Lerner. Ou seja, do ponto de vista fisiológico, a criança ainda não é capaz de controlar a maior  parte das suas reações, porque tem um controle ainda inconsistente delas. Quando é tomada por emoções  difíceis, como frustração, raiva ou medo, seu corpo reage — por exemplo, "explodindo" em crises de birra.

 

"Ao contrário das crenças populares, crianças pequenas que não cumprem o que é pedido, perdem o controle  de suas emoções ou se distraem facilmente não são 'crianças más' nem estão sendo intencionalmente  beligerantes ou não-cooperativas", explica o Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard.  Ela cita uma das famosas pesquisas em que as crianças são colocadas diante de uma guloseima — e  perguntadas se preferem comê-la imediatamente ou esperar para receber um segundo doce. Embora, nesse  estudo, muitas crianças de 3 anos tenham reconhecido que o melhor seria esperar para ter dois doces,  prevaleceu na maioria delas o impulso de comer a única guloseima à sua frente.

 

"Claramente, elas sabem, pela lógica, que é melhor esperar, mas saber não é suficiente" para seu cérebro em  formação, concluem os estudiosos. "Sabemos que é só pelos 20 e poucos anos que essa parte do cérebro  fica plenamente formada, o que também explica por que adolescentes são famosos por nem sempre tomarem  as melhores decisões ou terem grande dificuldade em controlar seus impulsos", conclui Lerner. Mas, mesmo  tendo isso em mente, como lidar com os momentos em que as crianças perdem o controle ou se recusam a  cumprir tarefas do dia a dia?

 

Nessa linha, espaços da casa ou da escola podem ser vistos como locais não de punição a um  comportamento, mas de regulação emocional em momentos de estresse. Dessa ideia surgiram os "cantinhos  da calma". "São espaços que ajudam a acalmar, com livros e objetos de conforto (almofadas, brinquedos que  possam ser jogados ou apertados)", explica Lerner. A proposta é que a criança tope, voluntariamente, se  acalmar ali — caso contrário, volta a ser uma medida punitiva. Mesmo assim, nem sempre dá certo. "Tudo  isso é maravilhoso quando funciona. Porque pode acontecer de a criança se levantar do cantinho do  aconchego e correr freneticamente, talvez em condições inseguras, jogando objetos pela casa, arranhando,  batendo, cuspindo — coisas que observo diariamente nos meus encontros com famílias", afirma Lerner. "É aí  que os pais ficam confusos. O que você faz quando seu filho fica tão fora de controle que se torna destrutivo?  É hora de repensar. Porque no fim das contas, não temos controle sobre as crianças, apenas controlamos a  situação." Nesses casos, uma opção limite indicada por Lerner é manter a criança em um local fechado e  seguro da casa, até ela se acalmar, enquanto os pais se fazem presentes de um modo calmo.

 

Adaptado. Fonte: BBC BRASIL, disponível em [https://www.bbc.com/portuguese/geral-62423859], publicado em 06.08.2022 e consultado em 08.08.2022.

 

"O que você faz quando seu filho fica tão fora de controle que se torna destrutivo?"

 

No trecho acima, retirado do sexto parágrafo, os termo grifados dão ao restante do enunciado a ideia de:

  1. espaço.
  2. consequência de um fato.
  3. tempo.
  4. exemplo de uma afirmação.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Quando, na frase "O que você faz quando seu filho fica tão fora de controle que se torna destrutivo?", introduz uma oração subordinada adverbial temporal.

Essa oração não traz causa, condição ou finalidade; ela determina o tempo em que se situa a ação expressa pela oração principal. Em outras palavras, indica o momento ou a ocasião em que se pergunta sobre a atitude dos pais.

Pode ser substituída por expressões equivalentes, como "no momento em que" ou "quando ocorre", sem alterar o sentido temporal: ambas mantêm a ideia de circunstância de tempo que modifica o verbo da oração principal.

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